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Português, tio de controlador da Cruz Vermelha, fez doação à campanha de ex-governador, mas dinheiro só foi transferido depois da eleição


Na denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro, no âmbito da Operação Calvário, cujo extenso documento, de 721 páginas, detalha como funcionava na atuação da organização criminosa, com citações à Paraíba ao menos 82 duas vezes, destaca que o chefe da organização criminosa no meio empresarial, Daniel Gomes da Silva, utilizou-se do tio, Jaime Gomes da Silva, para doar R$ 300 mil à campanha de Ricardo Coutinho em 2010. O detalhe é que Jaime, segundo os investigadores, é português sem qualquer vínculo com a Paraíba.
A revelação é da investigação Calvário, nos autos do processo que tramita na 42ª Vara Criminal do Rio de Janeiro. Além do fato de Daniel utilizar o tio para doar R$ 300 mil à campanha de Ricardo Coutinho, outro detalhe chama a atenção nessa operação: a transferência do valor foi efetuada dia 29 de novembro, ou seja, só depois do resultado da eleição em que Ricardo Coutinho já havia sido declarado vencedor do pleito, e assumir um mês depois o cargo de governador do estado da Paraíba.
A operação para doar os valores à campanha de Ricardo Coutinho foi destacada na denúncia que tem 720 páginas. “Merece ser registrado que, aproximadamente oito meses antes de a CRUZ VERMELHA BRASILEIRA – FILIAL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ser contratada pelo Estado da Paraíba para assumir a gestão do Hospital Estadual de Trauma de João Pessoa, um parente de DANIEL GOMES DA SILVA ofereceu generosa contribuição de campanha para o então candidato RICARDO COUTINHO que viria a vencer a eleição para Governador daquele Estado em 2010 (vindo a ser reeleito em 2014)”, diz a denúncia.
“Conforme registrado no “site” de prestação de contas do Tribunal Superior Eleitoral13, JAIME GOMES DA SILVA, irmão de DAVID GOMES DA SILVA (e, portanto, tio paterno de DANIEL), realizou uma transferência eletrônica no valor de R$ 300 mil para o Comitê Estadual do PSB na Paraíba, em 29 de novembro de 2010. No dia imediatamente posterior (30 de novembro de 2010), o mesmo valor de R$ 300 mil foi transferido do Comitê Estadual do PSB na Paraíba para a conta do comitê de campanha do então candidato a Governador RICARDO COUTINHO” revela a investigação.
O fato de o doador ser de outro país, e nunca ter possuído titulo de eleitor na Paraíba , chamou a atenção dos investigadores .”Dado que JAIME GOMES DA SILVA é português, nunca possuiu domicílio eleitoral na Paraíba, parece improvável que tal contribuição de campanha houvesse decorrido de um impulso espontâneo de participar do debate político paraibano, mas sim do interesse em construir um cenário mais favorável aos interesses comerciais de seu sobrinho”informa.
Por fim os promotores não têm dúvida de que Daniel utilizou o tio para injetar dinheiro na campanha de RC, logo após o socilaista ter sido declarado vencedor do pleito. “Ainda que através de interposta pessoa, ao menos nesta ocasião DANIEL GOMES DA SILVA utilizou-se de mecanismos oficiais, através de doação declarada formalmente à Justiça Eleitoral, ao invés do que se viria a verificar em momentos posteriores: a entrega por vias ocultas e sub-reptícias de dinheiro em espécie a agentes públicos do Estado da Paraíba”, conclui.
No mesmo documento, trechos trazem conversas e troca de mensagens telefônicas, inclusive entre Coriolano Coutinho, irmão do ex-governador Ricardo Coutinho, com Michele Cardoso, que ficou nacionalmente conhecida após entrega uma caixa de vinho “recheada” com quase R$ 1 milhão, a Leandro Azevedo, ex-assessor do Governo do Estado da Paraíba. O caso foi flagrado pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado do Ministério Público do Estado da Paraíba e veiculado em reportagem nacional do Fantástico, da Rede Globo de Televisão.
A denúncia traz ainda troca de mensagem entre membros da organização criminosa, que acompanharam voto a voto as eleições para o Governo do Estado no Estado da Paraíba e cita também a estranha “doação eleitoral” do tio paterno de Daniel Gomes, chefe da organização criminosa na área privada, a campanha do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB).
Ainda no documento, é possível verificar registro de conversações entre Daniel Gomes e membros do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, oportunidade em que Daniel Gomes cita o projeto de lei de autoria da deputada Estela Bezerra como facilitador para o ingresso da organização criminosa no Estado da Paraíba.



tanaarea

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