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CMCG

Governo anuncia R$ 2 bi para rodovias e crédito para caminhoneiro autônomo



O governo federal anunciou hoje uma série de medidas voltadas aos caminhoneiros para melhorar as condições de trabalho da categoria e, assim, tentar evitar uma greve como a ocorrida em maio de 2018.
Entre as principais ações estão a destinação de R$ 2 bilhões ao orçamento do Ministério da Infraestrutura para serem usados na expansão e duplicação de rodovias federais. Também haverá uma linha de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) de até R$ 30 mil para caminhoneiros autônomos e serão construídos locais de repouso para os motoristas profissionais.
Questionado sobre de onde a verba virá, já que o governo está com o orçamento bloqueado, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou que as outras pastas farão um rateio, e cada uma dará sua contribuição. "É simples e objetivo assim", disse, sem dar mais detalhes.
Os ministérios do Desenvolvimento Regional e da Defesa também deverão receber mais recursos, fora dos R$ 2 bilhões ao Ministério da Infraestrutura, mas o governo não informou qual a relação desse dinheiro com os caminhoneiros nem de onde ele virá.

Veja as medidas anunciadas

  • Expansão e duplicação de rodovias federais, como a BR 163.
  • Linha de crédito de até R$ 30 mil para a compra de pneus e a manutenção de veículos a caminhoneiros autônomos, por meio do BNDES. Poderão solicitar o financiamento trabalhadores com até dois caminhões registrados em seu CPF. Serão liberados R$ 500 milhões nessa primeira etapa.
  • Construção de locais para repouso dos caminhoneiros com infraestrutura para banho, refeição e reparos técnicos nos veículos. Esses locais serão obrigatórios em rodovias já concedidas e a nas que serão concedidas no futuro.
  • Desburocratização por meio de documento eletrônico único de transporte, que vai congregar uma série de papéis exigidos atualmente.
  • Renovação da CNH (Carteira Nacional de Habilitação) a cada dez anos, em vez de a cada cinco anos. A medida será válida para todos os motoristas com até 50 anos, e não apenas para caminhoneiros.
  • Eventos em municípios com assistência médica e odontológica para caminhoneiros promovidos por Sesc e Senai.
  • Estudo da criação do "cartão combustível" para compra de diesel com preço pré-fixado.
  • Estímulo ao cooperativismo.

Intervenção de Bolsonaro no preço do diesel

A iniciativa ocorre após a interferência do governo federal na Petrobras na semana passada. Na sexta-feira (12), as ações da empresa despencaram mais de 8% após a confirmação de que Bolsonaro ligou pessoalmente para a direção da Petrobras e a fez adiar um aumento de 5,7% previsto para o preço do diesel. A atitude gerou críticas de especialistas do setor e fez a petroleira perder R$ 32 bilhões em seu valor de mercado.
Desde 2016, a Petrobras adota uma política de preços para seus combustíveis pela qual os valores praticados em suas refinarias no país devem seguir indicadores do mercado internacional, como cotação do barril de petróleo e valor do dólar.
Apesar da atitude de Bolsonaro, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, declarou ontem que a empresa é "livre". Ele negou ter havido intervenção do governo federal na revisão do reajuste do preço do diesel. Segundo ele, "a Petrobras é uma coisa. Outra é o governo".

Uol

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