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Globo retrata Bolsonaro com isenção, enquanto Record demonstra boa vontade


Mais informativa, a Globo trouxe o resumo de uma carreira parlamentar de 28 anos marcada pelos diversos conflitos e frases polêmicas, enquanto a Record recorreu a entrevistas com familiares e com a mulher de Bolsonaro em um esforço dedicado a traçar o perfil de um homem doce e, no mais grave, que deixa bagunça na cozinha para a mulher resolver quando prepara o café da manhã.
Exibido pelas duas emissoras, o discurso da vitória foi feito para um pool de jornalistas, com mediação de um repórter da Globo. Mas a primeira aparição de Bolsonaro não teve dono. Após a apuração dos votos, ela foi realizada na internet, em transmissão simultânea em página no Facebook. As redes de TV precisaram retransmitir o conteúdo em tempo real.
Após a apuração dos votos, a Record exibiu reportagem de quase meia hora reunindo depoimentos de arquivo de Bolsonaro, entrevistas com familiares e imagens da escola onde o presidente eleito estudou na juventude.
O dono da emissora, o bispo Edir Macedo, declarou apoio a Bolsonaro ainda no primeiro turno, pouco antes de exibir uma entrevista exclusiva com ele no mesmo dia em que a concorrente e líder de audiência reuniu presidenciáveis para o debate.
Recuperou-se no canal do bispo histórias desde a infância do capitão reformado, depois a formação como oficial do Exército na academia de Agulhas Negras e os anos na atividade parlamentar.
O recorte estabelecido pela reportagem procurou mostrar um homem que se dedicou também a defender valores familiares tradicionais, desviando-se dos pontos agudos que renderam críticas e movimentos de rua contrários a ele, como o Ele Não, iniciado durante o primeiro turno.
A jornalista Adriana Araújo apenas citou “declarações polêmicas, mas que deram a ele [Bolsonaro] muita popularidade”, sem especificar os pontos mais extremos dos discursos e das entrevistas pelos quais Bolsonaro se tornara conhecido.
Já o “Fantástico” destacou os conflitos que deram combustível para a oposição. Entraram na pauta frases como “eu seria incapaz de amar um filho homossexual, prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí”.
Bolsonaro também afirmou que “vamos fuzilar a petralhada aqui no Acre” e, no plenário, falou que não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT-RS) pois achava que ela não merecia. Por causa da frase, ele foi condenado na Justiça.
O perfil da Record apontou, brevemente, que Bolsonaro, em toda sua carreira como deputado, propôs 171 projetos de lei à Câmara, dos quais dois foram aprovados.
Depois de exibir o perfil do capitão reformado, levou ao ar uma entrevista com a mulher do presidente eleito, Michelle Bolsonaro, na qual o repórter Eduardo Ribeiro busca minimizar questões referentes aos posicionamentos polêmicos. O jornalista diz que a futura primeira-dama “garantiu” que o marido “não é racista nem homofóbico”. Ela citou um primo gay seu para defender o marido.
Embora tenha sido mais explícita ao exibir diversas imagens das manifestações de rua em protesto à retórica truculenta de Bolsonaro, a Globo intercalou falas de Michelle às de Onyx Lorenzoni, anunciado para assumir a Casa Civil. Para ele, Bolsonaro “fala o que pensa”, e essa falta de filtro seria fruto de uma personalidade honesta e sincera.
A Globo ainda destacou como ponto positivo o fato de que Bolsonaro “mudou a forma de fazer campanha e surpreendeu ao estar entre os favoritos desde as primeiras pesquisas”, em eleições “mais curtas, com menos marketing e dinheiro”.
Depois, exibiu dados sobre as vantagens conquistadas no território da internet. Segundo a emissora, em 2014, Bolsonaro tinha 204 mil seguidores no Facebook, número que saltou para 8 milhões durante a corrida presidencial.
Somente a Globo citou a reportagem da Folha que mostrava que empresários impulsionaram disparos por WhatsApp contra o PT, além das decorrentes investigações no Tribunal Superior Eleitoral e na Polícia Federal abrangendo todas as candidaturas.

Uol/Folha

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