Há uma pergunta que Lucas Ribeiro precisa responder depois de fugir do debate entre os candidatos ao Governo da Paraíba: dessa vez, quem decidiu por ele que não deveria ir?
Debate não é inauguração, entrega de obra ou evento de campanha. Debate é confronto. É o momento em que o candidato precisa sair do discurso preparado e decorado, ouvir críticas, responder perguntas e mostrar, diante do eleitor, se está realmente pronto para governar.
E talvez seja justamente aí que esteja o problema.
Lucas construiu sua trajetória política sempre ocupando a posição de segundo nome. Foi suplente de vereador, depois vice-prefeito de Bruno Cunha Lima e, posteriormente, vice-governador de João Azevêdo. Com a renúncia de João para disputar o Senado, assumiu o Governo da Paraíba.
É uma trajetória que permite uma pergunta incômoda (para ele): Lucas construiu uma carreira política própria ou sempre avançou amparado por uma estrutura já consolidada?
Não se trata de ignorar os cargos que ocupou ou diminuir a importância de cada um deles. Mas disputar o Governo exige mais do que estar na linha sucessória. Exige identidade política, capacidade de liderança e, principalmente, disposição para sustentar as próprias ideias quando elas são colocadas à prova.
Lucas também pertence a uma família tradicional da política paraibana. É filho da senadora Daniella Ribeiro, sobrinho do deputado federal Aguinaldo Ribeiro e neto de Enivaldo Ribeiro. Sua trajetória foi construída dentro de uma estrutura familiar com presença política e institucional.
E é justamente nesse ponto que surge outra pergunta: Lucas está, de fato, comandando a própria candidatura ou continua sendo conduzido por quem sempre esteve ao seu redor?
Insisto, portanto, quem decidiu que ele não deveria ir ao debate? Lucas? Mamãe? Titio?
Houve receio do confronto? A campanha avaliou que seria mais seguro não expô-lo às perguntas dos adversários? Ou a ausência estaria relacionada à dificuldade de apresentar propostas próprias, depois de, no debate anterior, uma de suas propostas ter sido apontada como semelhante a uma iniciativa prevista no plano de governo de Efraim Filho?
São hipóteses. E, justamente por isso, precisam ser esclarecidas pelo próprio Lucas. Se a candidatura é dele, também deveria ser dele a responsabilidade de explicar uma decisão que o afastou de um dos principais e mais democráticos espaços de confronto entre os candidatos.
Agora, diante de uma nova oportunidade para apresentar suas ideias, responder aos adversários e se posicionar diretamente diante do eleitor, Lucas opta pela ausência. E é justamente essa escolha que levanta ainda mais questionamentos sobre sua disposição para enfrentar o debate e sustentar, sob pressão, as próprias posições.
Quem pretende governar a Paraíba precisa mostrar que tem projeto próprio, voz própria e capacidade para tomar decisões sob pressão. Não basta ocupar uma posição de destaque porque estava na linha de sucessão.
Vice não pode ser apenas uma posição no currículo. E governador não pode ser apenas uma cadeira ocupada pela circunstância.
Lucas assumiu o Governo porque João Azevêdo renunciou. Isso é legítimo e está previsto na legislação. Mas disputar uma eleição para permanecer no cargo é outra coisa.
Agora, ele precisa mostrar ao eleitor que tem condições de liderar o Estado por decisão própria, com suas próprias ideias, escolhas e posicionamentos, e não apenas porque as circunstâncias o colocaram na cadeira.
É justamente no debate que um candidato pode mostrar preparo, defender suas propostas, responder às críticas e enfrentar os adversários sem a proteção de um discurso previamente controlado e decorado.
Por isso, a ausência não deve ser tratada apenas como um detalhe de agenda ou uma simples estratégia de campanha. Para quem pretende governar a Paraíba, fugir do confronto também comunica alguma coisa.
A pergunta permanece: por que Lucas está evitando o confronto com os demais candidatos?
Em uma eleição para governador, o eleitor tem o direito de saber não apenas o que um candidato pretende fazer, mas também se ele está disposto a enfrentar as perguntas, as críticas e os desafios que fazem parte da disputa pelo comando do Estado.
Por Simone Duarte




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