Logo Simone Duarte
Logo Simone Duarte
Impasse na vice e aliados insatisfeitos colocam articulação da família Ribeiro em xeque

Impasse na vice e aliados insatisfeitos colocam articulação da família Ribeiro em xeque

 


A disputa pela vaga de vice na chapa do governador Lucas Ribeiro (PP) deixou de ser uma negociação restrita aos bastidores para se transformar no principal foco de crise da base governista no dia da convenção. O que deveria ser um momento de demonstração de unidade acabou marcado pela ausência do presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), Adriano Galdino (Republicanos), que decidiu não comparecer ao evento após uma sequência de reuniões sem consenso.

Segundo fontes ligadas ao Republicanos, a primeira proposta apresentada durante as negociações previa que o deputado federal Murilo Galdino desistisse da candidatura à reeleição. A condição, no entanto, foi rejeitada por Adriano Galdino. Sem avanço nas tratativas, uma nova alternativa foi colocada à mesa: Adriano abriria mão de lançar sua filha para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa e, em contrapartida, seria indicado para a vice-governadoria. A proposta também não prosperou, mantendo o impasse.

O resultado foi imediato. Depois de horas de reuniões, que atravessaram a madrugada e seguiram até poucos instantes antes da convenção, Adriano optou por não participar do evento, deixando claro que o entendimento entre os aliados ainda está distante.

As imagens da reunião também chamaram atenção. Enquanto Lucas Ribeiro aparecia acompanhando as discussões sem, aparentemente, dar palpites, as articulações eram conduzidas pelo deputado federal Aguinaldo Ribeiro e pela senadora Daniella Ribeiro. A cena reforçou a percepção, compartilhada por interlocutores da base e de parte da população, de que as decisões estratégicas permanecem nas mãos do tio e da mãe do governador.


O episódio mostra um desafio inédito para a família Ribeiro. Pela primeira vez, o grupo se vê na posição de conduzir uma ampla negociação para formar uma chapa majoritária envolvendo diferentes partidos, lideranças e interesses. Até agora, porém, as dificuldades para construir um consenso têm ficado evidentes, prolongando um impasse que já ultrapassou os bastidores.

Enquanto o Republicanos mantém a defesa do nome de Adriano Galdino para a vice-governadoria, partidos do campo progressista seguem pressionando pela indicação de uma mulher. Entre os nomes colocados nas discussões estão Rafaela Camaraense (PDT), coronel Viviane Vieira (PSB) e Maísa Cartaxo (Republicanos).

A tensão também alcançou o PDT. O presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, afirmou que o partido aguardará a definição da chapa antes de decidir se manterá a aliança com o Progressistas na Paraíba, deixando aberta a possibilidade de uma reavaliação do posicionamento político da sigla.

Mesmo que a convenção seja encerrada sem um anúncio, a legislação eleitoral permite que a composição da chapa seja formalizada até o próximo dia 15 de agosto. O prazo mantém viva a possibilidade de um acordo, mas também prolonga um desgaste político que se tornou público justamente no dia em que a base pretendia demonstrar unidade.

Nos bastidores, a avaliação é de que, mesmo permanecendo na base e apoiando a candidatura de Lucas Ribeiro em um primeiro momento, o Republicanos pode reavaliar sua posição em um eventual segundo turno. O mesmo cenário é cogitado para o PDT, partido presidido nacionalmente por Carlos Lupi.

O resultado das negociações vai além da definição do nome que ocupará a vaga de vice. Também servirá como um teste da capacidade do grupo liderado pela família Ribeiro de manter sua coesão política diante da disputa eleitoral.

Postagem Anterior Próxima Postagem