São João não é disputa, é identidade, e comparação desnecessária expõe erro de comunicação da governadora de Pernambuco


Como jornalista, comunicóloga, pós-graduanda em gestão pública e especialista em Cidades Inteligentes, eu aprendi que comunicação pública não é só o que se diz, é como, onde e por quem é dito.

E foi exatamente aí que a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, errou.

A fala não foi em um momento privado. Foi um vídeo publicado nas próprias redes sociais, nesta quinta-feira (16). Ou seja, algo pensado, gravado e divulgado. Não foi impulso, foi escolha.

Ao dizer, ainda que em tom de “brincadeira”, que Campina Grande tem o segundo melhor São João do Brasil, ela entra numa comparação totalmente desnecessária entre dois eventos gigantes, cada um com sua história, sua identidade e sua importância.

E tem mais: até o título do vídeo já mostra o problema. “A pernambucana mais bairrista”. Isso diz muito. Quando a própria comunicação assume esse tom, o resultado não poderia ser diferente. É a prova de uma assessoria despreparada, que não entende o peso institucional de cada palavra publicada. O bairrismo, quando vira argumento, revela a limitação desse tipo de discurso.

E aqui vai o ponto principal: quem ocupa um cargo desse nível não pode se dar ao luxo de comunicar como se estivesse numa roda de amigos. Existe responsabilidade institucional, existe impacto e existe, acima de tudo, respeito.

Campina Grande não precisa disputar esse tipo de narrativa, nem precisa de validação. O Maior São João do Mundo é consolidado, reconhecido nacionalmente e internacionalmente, com recordes no Guinness Book, tradição e um peso econômico gigantesco. É patrimônio cultural e orgulho de um povo.

O problema não é nem defender Caruaru, que também tem sua grandeza. O problema é a forma. É transformar isso em comparação pública, disputa desnecessária, ainda que disfarçada de humor.

E, sinceramente, isso só reforça uma coisa que vejo muito na prática: quando falta uma assessoria de comunicação técnica de verdade, sobra espaço para esse tipo de erro. Político que anda cercado apenas de quem acha tudo “engraçado” ou “normal” acaba passando do ponto.

No fim, foi uma fala pequena diante de eventos tão grandes, mas que mostra bem como comunicação mal conduzida pode gerar desgaste à toa, e totalmente evitável. Andar sem orientação técnica pode até parecer confortável no curto prazo, mas, na prática, só gera desgaste e ruído desnecessário.


Por Simone Duarte


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