Confesso que existem histórias que a gente não escreve apenas como jornalista… a gente sente. E foi exatamente isso que aconteceu quando ouvi o desabafo da primeira-dama da Paraíba, Camila Mariz. Não era sobre cargo. Não era sobre política. Era sobre vida.
Ao ser questionada se um dia imaginou chegar onde está hoje, Camila trouxe à tona uma dor que nenhuma criança deveria conhecer. Órfã aos 10 anos, após perder a mãe vítima de feminicídio, assassinada pelo próprio pai, ela revelou algo que corta o coração de qualquer um: Ela não sabia nem se sobreviveria.
E naquele momento, eu não vi uma primeira-dama. Eu vi uma mulher. Uma mulher marcada por uma história que, infelizmente, ainda é a realidade de tantas brasileiras, especialmente no Nordeste, onde a violência doméstica continua sendo uma ferida aberta em muitos lares. Quantas Camilas existem por aí?
Meninas que crescem no meio da dor, do silêncio, do medo… e que precisam aprender a ser fortes antes mesmo de entender o que é a vida. Mas o que mais me tocou foi perceber que aquela dor não a definiu, ela a transformou.
Camila não falou de poder. Não falou de posição. Falou de reconstrução. Falou de família, de propósito, de continuar mesmo quando tudo parecia impossível. E isso diz muito.
Porque histórias como a dela não são apenas sobre superação individual. Elas representam resistência. Representam tantas mulheres que caem, mas encontram forças, às vezes de onde nem sabiam que tinham, para levantar.
Escrevo isso com respeito. Com muito respeito. Respeito por uma trajetória que não começou nos palcos, nem nos eventos oficiais, mas em um cenário de dor profunda. E que, ainda assim, conseguiu florescer.
Hoje, ao vê-la ao lado do governador, em agendas institucionais, é impossível não lembrar que existe uma caminhada invisível por trás daquela imagem.
Uma caminhada que não aparece nas fotos, mas que carrega cicatrizes, coragem e, acima de tudo, uma força que merece ser reconhecida.
Porque, no fim, não é sobre onde ela chegou. É sobre tudo o que ela enfrentou para estar ali.
Por Simone Duarte




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