A sessão da CPMI do INSS realizada nesta quinta-feira, 26 de fevereiro, virou mais um retrato do momento político que o país atravessa. Em meio a discussões acaloradas, tumultos e troca de acusações, tapas, empurrões e murros entre parlamentares, ganhou força a narrativa de que o deputado federal Romero Rodrigues teria votado contra a quebra de sigilo bancário de Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha.
Mas os fatos mostram outra realidade.
A pauta oficial da reunião trazia 87 requerimentos. Entre eles estavam pedidos de convocação, solicitações de informações e dezenas de requerimentos de quebra de sigilo bancário e fiscal, de pessoas ligadas a ambos os espectros políticos. A quebra de sigilo de Lulinha aparece no Item 40. O detalhe central é que nada foi votado de forma individual. A deliberação ocorreu em bloco. Os parlamentares votaram o conjunto da pauta, e não cada item separadamente.
Isso significa que não houve um voto específico “contra Lulinha”. Houve um voto sobre todo o pacote, que incluía diversas pessoas físicas, empresas, bancos, sindicatos e entidades, tanto da esquerda, da direita quanto de centro. Transformar essa votação coletiva em um posicionamento isolado é uma simplificação que não condiz com o rito regimental da comissão.
Outro ponto importante: antes mesmo da votação da CPMI, o ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, já havia autorizado à Polícia Federal diligências envolvendo a quebra de sigilo de Lulinha. Ou seja, a apuração já estava em andamento no âmbito judicial. A decisão da comissão não era o único instrumento nem o ponto de partida da investigação ou da decisão da quebra de sigilo de “Lulinha”.
O clima da sessão foi de polarização extrema. E não é a primeira vez que Romero Rodrigues se vê no centro de ataques de todos os lados. Quando votou a favor da chamada dosimetria, recebeu “pancadas” duras de um campo político. Quando apoiou a blindagem do União Brasil, novamente foi alvo de críticas e interpretações inflamadas. Em outras palavras, já foi atacado tanto pela esquerda quanto pela direita, dependendo do momento e da conveniência de cada espectro político.
Isso demonstra que, muitas vezes, a crítica não nasce necessariamente do conteúdo do voto, mas do contexto político em que ele é inserido. No caso da CPMI, ao analisar o documento completo, percebe-se que os requerimentos foram apresentados por parlamentares da direita, da esquerda e do centro. A votação foi coletiva e abrangente. A leitura isolada de um único item não traduz o que efetivamente ocorreu.
O episódio desta quinta-feira, 26, demonstra a loucura da polarização que estamos vivendo neste país. Narrativas são construídas conforme a conveniência do momento. Interesses políticos se sobrepõem à análise objetiva dos fatos.
Enquanto isso, o cidadão comum segue trabalhando sem parar, sustentando um sistema que muitas vezes parece funcionar mais para quem vive da política e na política. A população que paga impostos altos, continua sem ver retorno adequado em Saúde e Educação, os serviços mais básicos.
No meio desse embate permanente entre discursos, versões e conveniências políticas, quem deveria estar no centro das decisões, o povo, acaba ficando completamente à margem do debate. E é preciso dizer com franqueza: diante de tudo o que já vimos nesse sistema que rege o Brasil, a quebra de sigilo bancário de Lulinha ou de qualquer outra figura ligada ao poder vai mudar exatamente o quê na vida de quem acorda cedo para trabalhar? Em um país onde já assistimos a condenações em múltiplas instâncias serem anuladas por questões processuais e onde escândalos históricos terminaram sem consequências proporcionais ao tamanho dos danos causados à população brasileira, é legítimo que o cidadão comum questione se essas disputas realmente produzem efeitos concretos.
Ao longo dos anos, o Brasil viu casos de corrupção que chocaram a população, dinheiro escondido de formas inacreditáveis, até em cuecas e o que aconteceu? Nada! Esquemas bilionários revelados em investigações amplamente divulgadas. Houve prisões, delações, manchetes estrondosas. E, no fim, a sensação que ficou para muitos brasileiros foi a de que pouca coisa mudou na ponta. A estrutura continua pesada, a carga tributária segue alta, os serviços públicos básicos ainda enfrentam deficiências graves, e quem vive do próprio esforço continua sustentando uma máquina que parece sempre funcionar melhor para quem está dentro dela.
A pergunta que ecoa fora dos gabinetes é simples: essas batalhas políticas transformam a realidade de quem precisa de atendimento digno na saúde pública? Melhoram a educação básica? Reduzem o custo de vida? Geram mais oportunidades? Ou apenas alimentam o ciclo permanente de polarização que mantém o país dividido enquanto os problemas estruturais permanecem?
Quando o debate se resume a embates ideológicos e disputas de narrativas, a população observa, paga a conta e segue trabalhando para sustentar uma engrenagem que raramente devolve, na mesma proporção, o que arrecada. A descrença não nasce do nada; ela é fruto de anos de promessas não cumpridas e escândalos que pareciam definitivos, mas terminaram em pizza. E é nesse cenário que eu pergunto, com ceticismo crescente, se algum dia essa lógica realmente será quebrada?!
Clique aqui e veja o documento da Pauta 32• Reunião CPMI - INSS - 26FEV
Prestem atenção no vídeo abaixo na fala do presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana quando ele diz: “A votação simbólica dos requerimentos pautados em Globo”
Por Simone Duarte



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