O governador João Azevêdo fez de conta que não disse. O deputado Felipe Leitão fez de conta que acreditou. E a política paraibana, como sempre, seguiu fingindo normalidade.
A história do “Felipe Leilão” entrou oficialmente para a categoria dos atos falhos, aqueles que escapam pela boca, mas revelam o que o coração está cheio, o que a cabeça não consegue esconder, nem a língua segurar. Segundo o próprio deputado Felipe Leitão, o governador pediu desculpas, classificou tudo como um deslize involuntário, e o deputado aceitou.
Aceitou, mas não perdeu a chance de devolver com elegância e veneno na dose certa: lembrou que, assim como ele foi chamado de “Leilão”, o governador costuma ser chamado, nos bastidores, de “João Azedo”. Coincidências da política ou da língua?
O pano de fundo, claro, é bem mais indigesto. João Azevêdo assiste à sua base encolher enquanto aliados importantes optam por Cícero Lucena, deixando o candidato do governo, Lucas Ribeiro, cada vez mais sozinho no palco. E quando o apoio escorre pelos dedos, qualquer “ato falho” vira confissão.
A pergunta que insiste em sobreviver é simples: se houve leilão, provavelmente nao foi da parte do Leitão e como diz aquela frase famosa e conhecida por todos: “Acuse-os do que você faz e chame-os do que você é”, afinal como se explica certos arranjos de um passado bem recente?
Nos bastidores, comenta-se que o presidente da ALPB, Adriano Galdino, que já flertou com a disputa pelo governo e depois desistiu, recebeu mais do que palavras de João Azevedo para permanecer fiel à sua base. Falam em benesses, privilégios e espaços estratégicos, incluindo o comando do Hospital de Trauma de Campina Grande, uma joia administrativa e política.
Dizem também, sempre eles, os bastidores, que a decisão não caiu nada bem para outro aliado do governo: o ex-candidato a prefeito de Campina Grande, Jhony Bezerra, derrotado nas urnas, nas últimas eleições. Azedou o clima!
No fim, todos seguem seus papéis: o governador finge ato falho, o deputado finge confiança, e o eleitor observa. Porque, em política, ninguém esquece uma declaração irônica e pública, apenas escolhe quando usá-la.
E se tem algo que essa pré-campanha já deixou claro é que, mais do que leilão de apoios, o que está em curso é uma disputa de narrativas. Algumas doces. Outras… bem mais azedas.
Assista a vídeo com as respectivas declarações, clicando aqui
Por Simone Duarte



0 Comentários