FliParaíba 2025 encerra programação com literatura infantojuvenil, discussões e shows, e confirmação da edição de 2026

Fotos: João Pedrosa


O terceiro e último dia de programação do Festival Literário Internacional da Paraíba (FliParaíba 2025), realizado no Centro Cultural São Francisco, em João Pessoa, foi encerrado no sábado (29), com literatura infantojuvenil, discussões temáticas e shows das artistas Joyce Alane e Mariana Aydar. Prestigiado por mais de 18 mil pessoas durante os três dias, o festival se consolida como um evento literário da Paraíba, numa realização do Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult-PB). O secretário da Cultura, Pedro Santos, afirmou que conclui o festival deste ano com sensação de missão cumprida e confirmou a edição de 2026 que terá o tema Paraíba Afro-Latina: Ecos da Diáspora, Vozes do Sul Global.

Pedro Santos ressaltou o sucesso do FliParaíba 2025 e a satisfação da missão cumprida enquanto secretário, agora também construindo o festival de 2026. "A sensação é de plena satisfação. O FliParaíba é um festival que se consolida como um evento da Paraíba e foi legitimado pela presença das pessoas que compõem essa diversidade tão rica, presente e pulsante na cultura paraibana. Neste ano inserimos as vozes das ruas, das periferias, das ancestralidades, das diásporas, das aldeias, dos ranchos, dos quilombos, fortalecendo o protagonismo da nossa gente. Então quero agradecer ao governador João Azevêdo pela confiança depositada, e posso concluir que não há mais margens ou fronteiras para este festival. Em 2026 vamos construir esse sonho que é integrar a África e a América Latina, em torno das discussões literárias do sul global. Vida longa ao FliParaíba", pontuou.

Um dos diferenciais deste ano foi o Espaço Curumim, dedicado ao público infantojuvenil, que durante todo o dia teve apresentação de toré indígena infantil, contação de histórias quilombolas, indígenas e ciganas e teatro de bonecos. A professora aposentada Maria de Fátima Oliveira, avó de Isabel de Maria (8 anos), levou a neta para prestigiar o espaço. "Estou muito feliz por ter trazido Isabel para o festival, feliz por ela estar inserida aqui nesse espaço que é voltado especificamente para o público da idade dela e também pela riqueza cultural que essas crianças têm hoje a oportunidade de vivenciar. Eu parabenizo a organização do evento por ter pensado nesse lugar infantil, pela importância desse momento para as nossas crianças e desejo que haja outras edições deste festival de literatura aqui no nosso Centro Histórico, onde nasceu nossa cidade", frisou. 

À luz do tema central do evento, 'Nossa Língua, Nossa Gente: ancestralidade, identidade e o futuro da democracia', escritores renomados compuseram mesas temáticas. O jornalista e escritor Sérgio Botelho, discutiu o tema 'Territórios literários em trânsito - Escritas em movimento'. 

"Em publicações, como se fosse um diário da cidade de João Pessoa, venho assiduamente fazendo há três anos e mais ao longe de forma esporádica, há 15 anos sobre fatos, cenários e personalidades paraibanas. Trabalho com história, com H maiúsculo e com estórias que transportam a mim e aos meus leitores, pelos espaços da cidade de João Pessoa através do tempo. Falo de uma urbe com mais de 400 anos, que exibe marcas de outras épocas, a ponto de sendo a mesma, parecer muitas. É um material literário rico e emocionante. Nasci e me criei no Centro entre as décadas de 1950 e 1960, quando os espaços da cidade possuíam outras estéticas e interagiam de forma diferente da atual. As lembranças com que trabalho me permitem muitas vezes transitar pelo passado como alguém que retorna a lugares conhecidos, mesmo quando esses lugares mudaram bastante ao longo do tempo", comentou.

Na mesa com o tema, 'Literatura em travessia - Escrever em várias margens', o jornalista e escritor Edney Silvestre destacou a importância da reunião dos escritores que compuseram a mesa. "Como eu aprendi a ler em uma biblioteca pública em Valença, eu pegava qualquer livro que houvesse lá, não tinha limites. Não tinha limites de que autores, para qual idade, então eu comecei a ler, lendo Machado de Assis, José de Alencar, Charles Dickens, Thomas Mann, que eu não sabia quem eram. Então o fato de estarmos aqui, um português, uma baiana, uma paraibana e um cara do interior do estado do Rio de Janeiro, é uma reafirmação desse percurso da literatura, com as origens que forem. E o Van Gogh entra, o Van Gogh, o real, o personagem, o pintor, entra nessa travessia também, com uma viagem inesperada à Paris em 2014", explicou Edney Silvestre quando a falar sobre seu novo livro, 'O Último Van Gogh'.

Já em outra mesa de diálogos, o poeta e rapper pessoense, do bairro de Mangabeira, Filosofino comentou sobre a temática 'A rua é nós - Poética da insurgência'. "O que despontou a partir desse movimento foi a artista Bixarte, que é referência para a gente na música, na poesia. Essa galera já estava fazendo poesia, existe uma poesia que ela é falada e ela não está sendo publicada, não está chegando nos ouvidos das pessoas, né?! E essa poesia está na batalha, está na rua e ela está nos bancos de praça. A gente está conversando sobre a vida cotidiana, recitando e falando do nosso sentimento, do que vem de dentro e ali também é um lugar de construção de saberes e de difusão de saberes ancestrais, né?!Então existe um conhecimento que está girando, que está sendo produzido dentro da quebrada, que não chega aos ouvidos de alguns".

E completou, "Incluir é diferente de pertencer. A coisa acaba sendo um pouco mais ampla, é mentalidade, construção social, cultural, para que haja a mudança real que seja sentida pela galera. Parece que o processo é lento mesmo. A gente precisa de uma mudança de mentalidade. Pensar que a rua também é para ser ocupada por nós. Da mesma forma que, tipo, assim, parece que existe uma cisão entre o que é dissidente, o que é marginalizado, é não pertencente, é diferente, eu não participo aqui, eu não escuto, às vezes você é incluído na parada, mas você não é ouvido", ressaltou Filosofino.

Outro ponto alto da programação deste ano foi a inserção da Batalha do Conhecimento na programação do evento, que, no sábado, teve sua grande final. Sob o tema Literatura Paraibana, MC´s construíram rimas baseadas em publicações de escritores paraibanos renomados, 16 MC´s selecionados iniciaram a batalha na sexta-feira, quem passou de etapa disputou premiações. Após escolha do público e dos jurados, Clow MC (João Pessoa-PB), foi premiado em primeiro lugar, com R$ 3 mil, em segundo lugar, Rank (Cabedelo-PB) que levou R$ 2 mil e em terceiro lugar, Jason MC (Recife-PE) com R$ 1 mil. 

Clow MC falou sobre a alegria em ter participado do festival literário. "Meu Deus! Então, prazerzão, família. A importância do rap dentro do festival é porque o rap também se encaixa como uma literatura, porque é uma manifestação verbal periférica, que foi gerada por pessoas periféricas que tiveram a acessibilidade para expressar suas opiniões, seus sentimentos do cotidiano,  de tudo que se passa na sua vida, no seu dia a dia. Ter essa oportunidade de conseguir ocupar e expressar isso dentro de um festival de literatura é de suma importância para o movimento hip-hop", pontuou, Clow MC, grande vencedor da Batalha do Conhecimento no FliParaíba 2025.

FliParaiba 2025

O festival se consolidou como um evento literário paraibano. Em três dias, mais de 18 mil pessoas circularam pelo evento. Foram mais de 30 autores convidados, destaques da literatura feita na Paraíba, no Brasil, na África e em Portugal, artistas paraibanos e nacionais passaram pelo palco principal de shows, trabalhos realizados pelos participantes das oficinas de cordel e de xilogravura, foram impressos para exposição. Foram 158 lançamentos de livros e sessão de autógrafos tomando conta do Pavilhão Literário. Os torés indígenas dos anciões potiguaras e dos caciques potiguaras e tabajaras, em um momento histórico de rito ancestral, tocaram e emocionaram quem prestigiava o evento. A exposição Versos Parahybridos, que durante os três dias esteve exposta, reescrevendo a história de resistência dos povos das comunidades indígenas, quilombolas e ciganas da Paraíba e rememorando-as por meio de fotografias e poemas.

O Festival Literário Internacional da Paraíba (FliParaíba 2025), foi realizado em parceria com a Empresa Paraibana de Comunicação (EPC), Fundação Espaço Cultural (Funesc), Associação Portugal Brasil 200 anos (APBRA) e Centro Cultural São Francisco.

Postar um comentário

0 Comentários