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Um castelo em pleno Recife; conheça o presente de Ricardo Brennand em forma de museu


Instituto Ricardo Brennand, localizado na Várzea, Zona Oeste do Recife, é um dos pontos turísticos mais requisitados da capital pernambucana. Com sua arquitetura que evoca a arquitetura medieval europeia, o museu guarda preciosidades das artes plásticas, assim como documentos raros e uma das maiores coleções de armas brancas do mundo. Sua criação é fruto da paixão de Ricardo Brennand, falecido sábado (25), vítima de complicações causadas pela covid-19, pela arte e o colecionismo. Em decorrência da pandemia do novo coronavírus, o espaço está fechado deste o dia 14 de março.

Fundado em setembro de 2002, o IRB foi construído em um espaço que guardava muitas memórias afetivas para Ricardo Brennand. Naquela área de mais de 77 mil metros quadrados, funcionava o engenho São João, onde ele passou parte da infância. Cercada por mata atlântica protegida, a instituição foi nomeada em homenagem ao seu tio homônimo, pai do artista plástico Francisco Brennand (1927-2019). O tio teve grande influência na paixão de Ricardo Brennand pela arte.


Sua história com o colecionismo começou aos 12 anos, quando ganhou um canivete do pai. A partir de então, começou a acumular objetos semelhantes e expandiu seu interesse para outros armamentos. A partir da década de 1940, passou a levar o hobby ainda mais a sério e passou a adquirir também obras de arte e mobiliário. Essa dedicação ao colecionismo fez com que ele reunisse um dos mais importantes e volumosos acervos de armas brancas do mundo, hoje em exibição no museu do IRB.
O reconhecimento à importância do Instituto Ricardo Brennand, por sinal, é de nível nacional e internacional. Em 2015, o espaço recebeu o prêmio Traveler's Choice Museus, como melhor museu do Brasil e da América do Sul, baseado nas avaliações que recebeu dos visitantes no site Trip Advisor. Desde sua inauguração, o espaço cultural já foi visto por mais de 2,5 milhões de pessoas de todo o mundo.

Museu Castelo São João

Neste espaço, estão exibidas as coleções de armas brancas, um dos maiores destaques do acervo do instituto. São mais de 3 mil peças - entre elas o primeiro canivete de Ricardo Brennand. No espaço, o visitante pode encontrar preciosidades da Idade Média e outros períodos da história, provenientes de países da Europa, do Oriente Médio, entre outros. 
Em exibição, há canivetes, punhais, espadas, bestas, facas, além de 27 armaduras completas, divididas em seções de armas de guerra, defesa pessoal, caça e exibição.


Foto: Chico Porto / JC Imagem
Ao todo, coleção de armas brancas do IRB conta com mais de 3 mil itens - Foto: Chico Porto / JC Imagem

Pinacoteca

O acervo de artes visuais do Instituto Ricardo Brennand também chama a atenção dos visitantes. Ao longo da vida, o empresário adquiriu peças de importantes para a arte brasileira, especialmente no que diz respeito ao período da ocupação holandesa em Pernambuco, que durou de 1630 a 1654. 
Atualmente, a Pinacoteca conta com as seguintes exposições permanentes: "Frans Post e o Brasil Holandês", "O Oitocentos Brasileiro", “Coleção Janete Costa e Acácio Gil Borsoi” e "O Julgamento de Nicolas Fouquet". A exposição focada em Frans Post, por exemplo, abriga a maior coleção das produções do artista holandês que esteve no Brasil no século XVII. Ela contém quatro tapeçarias criadas a partir de desenhos de Albert Eckhout, exemplo da arte das imagens produzidas a partir das obras produzidas pelos artistas e cientistas da comitiva de Nassau.

Foto: Diego Nigro/JC Imagem
Telas do período holandês em Pernambuco, assim como da produção do século 19, integram a Pinacoteca - Foto: Diego Nigro/JC Imagem

Há ainda foco na figura de João Maurício de Nassau-Siegen, com documentos, mapas, objetos, moedas e livros produzidos no século XVII, durante ou logo após sua gestão como Governador Geral dos domínios holandeses no Brasil.
Outra atração imperdível da Pinacoteca é a coleção voltada para a produção de artes visuais no século 19 no Brasil, após a abertura dos portos em 1808. São trabalhos que vão do Neoclássico ao Impressionismo, com telas de nomes como Antonio Parreiras, Benedito Calixto, Emill Bauch, Friedrich Hagedorn, Jean-Baptiste Debret, Moritz Rugendas, Telles Junior, dentre outros.

Arte a céu aberto

Além das edificações, o IRB é formado por um parque parque com uma área de 18.000 hectares, formado por lagos artificiais e esculturas em grande escala, entre elas O Pensador,  de Auguste Rodin, uma cópia autorizada do David, de Michelangelo; e A Dama e o Cavalo, de Fernando Botero.
A área externa conta ainda com outras obras de arte de artistas como Sonia Ebling e Leopoldo Martins, Antônio Frilli e Mestre Valentim.

Foto: Paloma Amorim
Área externa do IRB também é permeada por obras de arte - Foto: Paloma Amorim


Foto: Alexandre Belém / JC Imagem
O Pensador, de Rodin, é um dos clássicos que compõem o acervo do museu - Foto: Alexandre Belém / JC Imagem

Biblioteca

O IRB também salvaguarda importantes documentos da história brasileira, com enfoque especial na memória pernambucana. São cerca de 20 mil itens, entre livros, periódicos, fotografias, panfletos e outros. Obras raras, a exemplo de uma edição de 1586 de Histoire d'un voyage faict en la terre du Brésil, de Jean de Léry, e uma edição de 1593 de Dritte Buch Americae, de Theodor de Bry, estão entre as aquisições do acervo.

Capela Nossa Senhora das Graças

Além das atividades culturais, o Instituto Ricardo Brennand é conhecido como um dos pontos mais concorridos para a realização de casamentos em Pernambuco. A Capela Nossa Senhora das Graças, localizada em suas dependências, tem arquitetura semelhante ao resto do complexo, de inspiração gótica, e chama a atenção de quem a visita devido à sua imponência.

Instituto Ricardo Brennand
Capela Nossa Senhora das Graças é um dos espaços mais concorridos de Pernambuco para realização de casamentos - Instituto Ricardo Brennand


Foto: Luiz Pessoa  - JC Imagem
Capela do instituto Ricardo Brennand - Foto: Luiz Pessoa - JC Imagem





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