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Pragmatismo ou conveniência?

O pragmatismo sempre fez parte da política. Construir alianças, dialogar com adversários e buscar espaços é legítimo em qualquer democracia. O problema começa quando o pragmatismo deixa de ser estratégia e passa a ser conveniência.

A articulação que leva o Sargento Rui à Assembleia Legislativa da Paraíba por meio de um grupo político liderado por Veneziano Vital do Rêgo e Cícero Lucena, adversários históricos do campo político ao qual ele sempre disse pertencer, deixa qualquer eleitor que votou nele boquiaberto.

Há uma diferença importante entre pragmatismo e conveniência. O primeiro busca novos caminhos sem abandonar os princípios. O segundo adapta os princípios para facilitar o caminho.

Sargento Rui construiu sua trajetória ao lado da direita paraibana, especialmente do deputado federal Cabo Gilberto Silva. Foi eleito defendendo o conservadorismo, fazendo oposição ao lulismo e apresentando a coerência como uma marca da boa política.

Por isso, é natural que parte de seus eleitores estranhe a aproximação com um grupo político que representa justamente o projeto que sempre combateu.

Os aliados afirmam que se trata de sobrevivência política. É um argumento legítimo. Mas ele não elimina uma pergunta inevitável: sobreviver politicamente justifica qualquer aliança?

Na política, diálogo é necessário. Renunciar à identidade política é outra história.

Água e óleo podem dividir o mesmo recipiente, mas não se misturam. Da mesma forma, lulismo e bolsonarismo sempre se apresentaram como projetos antagônicos. Quando uma liderança eleita por um desses campos busca sustentação no outro, a cobrança por coerência deixa de ser um ataque e passa a ser uma consequência natural.

No fim, a discussão não é sobre a legalidade da articulação, mas sobre credibilidade. Porque mandatos podem ser conquistados por estratégias. A confiança do eleitor, não. Ela depende de algo muito mais difícil de preservar: coerência.



Por Simone Duarte

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