De uma sala de casa ao próprio negócio estruturado
De uma sala de casa no interior da Paraíba a uma loja própria construída após anos de trabalho, fé e persistência: esta é a história de Robéria Sampaio, empreendedora de São Sebastião de Lagoa de Roça que transformou o instinto de vender, herdado da família, em um negócio capaz de gerar renda, construir comunidade e inspirar outras mulheres a empreender.
Em uma cidade do Agreste paraibano com pouco mais de 11 mil habitantes, Robéria transformou uma sala de casa em um negócio reconhecido pela comunidade. Esta é a história de uma mulher que fez da coragem uma ferramenta de trabalho e do empreendedorismo um caminho de independência.
| Robéria
Sampaio transformou um negócio iniciado dentro de casa em uma das marcas mais reconhecidas de São Sebastião de Lagoa de Roça (PB) | Foto: Instagram |
Por Simone Duarte
Uma sala de casa. Um celular. Um grupo de WhatsApp criado contato por contato. Sem capital inicial expressivo, sem formação técnica e sem imaginar que aplicava conceitos modernos de marketing, Robéria Sampaio começou a construir um negócio que mudaria sua vida.
Moradora de São Sebastião de Lagoa de Roça, município do Agreste paraibano, ela transformou a venda de perfumes e cosméticos em uma operação que ultrapassou os limites da própria casa. O que começou como alternativa para complementar a renda tornou-se uma loja estruturada, com clientes fidelizados e um modelo de relacionamento reconhecido por especialistas como exemplo de proximidade, confiança e pertencimento.
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| Foi em São Sebastião de Lagoa de Roça, no Agreste paraibano, que Robéria aprendeu as primeiras lições que mais tarde transformaria em negócio - Foto: Divulgação |
Mas a história de Robéria não começa com um celular ou uma live. Ela começa muito antes, nas viagens às feiras de Santa Cruz do Capibaribe com a mãe, nas bolsas de sacoleira carregadas desde a infância e na capacidade de enxergar oportunidades onde outros viam apenas rotina. Começa também na dor: na perda brutal de uma irmã, na mudança forçada para o Rio de Janeiro e no retorno ao interior, que exigiu reconstruir a vida praticamente do zero.
É da combinação entre herança familiar, fé, resiliência e uma capacidade intuitiva de criar conexões que nasce a trajetória de Robéria Sampaio. Uma empreendedora que transformou coragem em oportunidade e fez do empreendedorismo um caminho de independência e inspiração. Uma história marcada por recomeços que transformou o negócio em extensão de seus valores, relações e trajetória de vida.
Nascida no comércio: quando vender é herança de família
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| Robéria, o esposo e o filho Manoel Júnior em um pequeno comércio da família. O negócio marcou uma das primeiras etapas do recomeço após o retorno do Rio de Janeiro | Foto: Arquivo da família |
Antes das lives, dos grupos de WhatsApp e da loja própria, houve uma ruptura que mudaria para sempre a trajetória da família Sampaio.
A irmã de Robéria foi assassinada por quem dizia amá-la. A violência doméstica, que diariamente destrói famílias brasileiras, chegou à porta da casa onde ela cresceu e deixou marcas que jamais desapareceriam completamente.
Abalada pela perda, a família decidiu partir para o Rio de Janeiro em busca de um recomeço. Para Robéria, acostumada ao ritmo tranquilo do interior paraibano, a adaptação nunca foi simples. O barulho constante, a correria das ruas e a sensação de estar longe das próprias raízes transformavam o cotidiano em um exercício permanente de resistência.
Por um tempo, aquela parecia ser a nova realidade. Até que o chamado de casa falou mais alto.
A família voltou para São Sebastião de Lagoa de Roça, para os amigos, para a rotina conhecida e para as raízes interrompidas pela dor. Foi ali que Robéria começou mais um dos muitos recomeços que marcariam sua vida.
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| Robéria Sampaio ao lado dos pais após voltar para São Sebastião de Lagoa de Roça | Foto: Arquivo da família |
Primeiro ajudando a mãe no pequeno comércio da família. Depois acompanhando as viagens de compras para abastecer as vendas. A cada nova ida às feiras, a cada nova negociação, ela aprendia mais sobre trabalho, responsabilidade e perseverança.
Para Paula, amiga que acompanhou de perto esse período, a forma como Robéria enfrentou aquela fase ajudou a moldar a mulher e a empreendedora que ela se tornaria anos depois.
"Ela passou por perdas importantes, como a morte da irmã, o que trouxe responsabilidade extra desde jovem. Voltou, recomeçou do zero e se reinventou novamente", afirma.
Talvez tenha sido nesse momento que uma característica passou a definir a trajetória de Robéria: a capacidade de seguir em frente sem perder a esperança.
Durante esse período de reconstrução, ela se casou, formou a própria família e teve o primeiro filho, Manoel Júnior. Aos poucos, uma nova história começava a ser construída. O marido e o filho, que naquele momento ainda não imaginavam o que viria pela frente, se tornariam anos depois parceiros fundamentais nas madrugadas de lives, embalagens e sonhos compartilhados.
A dor permaneceu como parte da sua história. Mas nunca foi capaz de apagar aquilo que sempre a moveu: a disposição de recomeçar.
A sala, a pandemia e o celular que mudou tudo
Quando o mundo fechou as portas em 2020, Robéria encontrou uma forma de mantê-las abertas.
A pandemia interrompeu a rotina do comércio, reduziu o fluxo de clientes e trouxe incertezas para milhares de pequenos empreendedores. Para ela, porém, aquele cenário também representou um momento de decisão: era preciso encontrar uma maneira de continuar vendendo.
"O que impulsionou nossas vendas através do Instagram foi justamente o surgimento das lives na pandemia. Com tudo fechado, muita mercadoria, muito boleto a pagar, nós precisávamos alcançar o público de alguma forma. Foi com um celular, uma sala repleta de produtos, um sonho e a vontade de cumprir nossos compromissos que surgiu realmente uma empreendedora", revela Robéria Sampaio.
Sem equipe especializada, sem agência de marketing e sem investimento em publicidade, ela transformou a própria sala em estúdio, estoque, centro de distribuição e ponto de relacionamento com clientes.
Ao lado do filho e de amigas voluntárias, começou a realizar transmissões ao vivo que se estendiam noite adentro. Enquanto apresentava produtos, respondia perguntas e negociava vendas, também embalava pedidos, organizava notas fiscais e preparava entregas.
O que começou como uma alternativa emergencial rapidamente se transformou em estratégia de crescimento.
As lives passaram a reunir dezenas e depois centenas de pessoas. Em uma delas, o público chegou a 380 espectadores simultâneos, um resultado expressivo para uma empreendedora do interior, trabalhando apenas com recursos próprios.
"O desafio era grande, mas a vontade de vencer era ainda maior", lembra Robéria.
Mais do que vender produtos, ela estava construindo algo que só mais tarde compreenderia em toda a sua dimensão: uma comunidade.
Para João Jardelino, especialista em marketing do Sebrae-JP, o que Robéria fazia intuitivamente possui fundamentos sólidos de mercado: "Marketing é entender pessoas, criar conexão e gerar relacionamento. A prática vem primeiro, depois a teoria ajuda a estruturar e ampliar os resultados," explica.
Sem perceber, Robéria transformou um momento de crise em oportunidade de aproximação com seus clientes. O celular virou vitrine. As lives, ponto de encontro. E a sala de casa se tornou o espaço onde um pequeno negócio deu seus primeiros passos rumo a uma transformação muito maior.
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| Robéria Sampaio com pilhas de produtos na sala de casa, mostrando o começo da operação que daria origem ao seu negócio estruturado | Foto: Arquivo pessoal |
A estratégia que ela criou antes de saber o nome
Antes de conhecer termos como funil de vendas, retenção de clientes, marketing de relacionamento ou experiência do consumidor, Robéria já colocava muitos desses conceitos em prática.
Tudo começou com uma necessidade simples: fazer com que mais pessoas soubessem quando uma live estava prestes a começar.
"Quando eu ia fazer uma live, eu precisava divulgar o máximo. Então, com o grupo do WhatsApp que nós criamos, nós divulgamos em primeira mão para esse grupo VIP. Quem está no grupo recebe em primeira mão quais os produtos que vão ter com desconto e sai à frente quem participa desse meu grupo de fidelização", conta Robéria Sampaio.
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| O celular tornou-se a principal ferramenta de relacionamento e fidelização de clientes | Foto: Arquivo pessoal |
O grupo VIP, que hoje reúne quase 500 participantes, tornou-se muito mais do que um canal de divulgação. É ali que as clientes recebem novidades, promoções, condições especiais e informações antecipadas sobre lançamentos e campanhas.
Antes de cada live, Robéria distribui senhas exclusivas, incentiva o compartilhamento dos conteúdos e estimula as participantes a marcarem o perfil da loja nas redes sociais. O resultado é uma ampla rede de recomendações espontâneas.
Um verdadeiro "boca a boca digital".
Há também cartão fidelidade, cupons de indicação e sorteios. Quem compra participa. Quem indica é recompensada. Quem acompanha as transmissões recebe vantagens.
Mas talvez o maior diferencial esteja na forma como Robéria construiu um sentimento de pertencimento.
"Eu queria trazê-las para perto de mim, essas minhas cheirosas, como eu as trato. Eu falo todos os dias quando posto. Não era uma jogada de marketing, nem uma estratégia. Era uma forma de fidelização mesmo, de estar mais próxima", afirma.
Ao longo dos anos, quem chegava à loja em busca de um produto passou a encontrar também acolhimento, interação e identificação. Sem perceber, Robéria criou algo que muitas empresas tentam construir com grandes investimentos: uma base de consumidores engajada, participativa e emocionalmente conectada à marca.
As lives também se transformaram em eventos. Parceiros do comércio local passaram a contribuir com brindes e mimos em troca de divulgação durante as transmissões, criando uma rede de colaboração que fortalecia simultaneamente diferentes pequenos negócios da cidade.
"Você compra e ganha, você conquista. E com isso eu faço também a divulgação dos comércios locais", explica.
A comunicação da marca também passou a refletir a própria vida da empreendedora. O filho mais novo, Mateus, participa de trends e vídeos descontraídos publicados nas redes sociais da loja. O esposo aparece em campanhas criativas em datas comemorativas, como o Dia dos Namorados. Aos poucos, o negócio ganhou rosto, personalidade e identidade própria.
A empreendedora também transformou o calendário em oportunidade. Datas comemorativas viraram campanhas. Eventos da cidade passaram a integrar a comunicação da loja de forma espontânea e alinhada à rotina do público.
Em uma dessas ações, Robéria convidou suas "cheirosas" para participarem de um grande evento realizado na praça da cidade. Aproveitou a programação festiva para apresentar produtos, divulgar ofertas e reforçar as vantagens oferecidas às integrantes do grupo VIP.
A iniciativa uniu entretenimento, relacionamento e divulgação comercial, ampliando o alcance da marca e fortalecendo os vínculos já construídos ao longo dos anos.
Para João Jardelino, especialista em marketing do Sebrae-JP, o que Robéria construiu possui fundamentos sólidos de relacionamento e fidelização.
"O grupo no WhatsApp aproxima clientes da marca, cria fidelização e aplica conceitos de retenção, mesmo sem utilizar termos técnicos. O empreendedor vai percebendo o que funciona e cria vínculos, mesmo sem saber que está construindo marca e experiência", explica.
Quando perguntada se tinha consciência de que estava aplicando estratégias de marketing, a resposta revela muito sobre sua trajetória:
"Não. De forma alguma."
Talvez esteja justamente aí um dos segredos do seu sucesso: enquanto muitos estudavam teorias sobre relacionamento com consumidores, Robéria simplesmente começou a colocá-las em prática.
Quando a estratégia virou resultado
Durante muito tempo, Robéria acreditou que estava apenas divulgando produtos. Mas os resultados começaram a mostrar que havia algo maior acontecendo.
Se antes das transmissões ao vivo e da produção constante de conteúdo digital as vendas aconteciam de forma esporádica, muitas vezes limitadas a poucos pedidos por dia, o cenário mudou à medida que ela passou a utilizar lives, vídeos e reels para se conectar com o público.
O volume de vendas cresceu mais de dez vezes em comparação ao período inicial do negócio, impulsionado principalmente pelo fortalecimento do relacionamento com as consumidoras e pela presença constante nas redes sociais.

Em alguns casos, o público alcançado superou a própria população do município, um indicativo de que a comunicação desenvolvida pela empreendedora ultrapassou fronteiras e encontrou audiência muito além do mercado local.
Mais do que números, os resultados confirmaram algo que ela já percebia no dia a dia: as pessoas não estavam apenas comprando produtos. Estavam acompanhando uma história, compartilhando experiências e fortalecendo uma relação construída pela confiança e pela proximidade.
A virada de chave: a noite em que tudo ficou claro
Em meio às lives, madrugadas de trabalho e momentos em que a vontade de desistir aparecia, houve uma noite que mudou a forma como Robéria enxergava o próprio futuro.
Era dezembro, final de ano. A expectativa era grande, mas o resultado superou qualquer planejamento.
Durante uma transmissão ao vivo, ela vendeu praticamente tudo que tinha disponível. Os pedidos chegaram em ritmo intenso, e a madrugada foi dedicada à reposição de produtos, organização das encomendas e preparação das entregas.
Ao final daquela noite, veio também uma conquista simbólica: pela primeira vez, Robéria alcançou o nível Diamante na hierarquia de vendas da marca com a qual trabalhava, um reconhecimento reservado a quem obtém resultados expressivos de comercialização.
"Ali foi a minha virada de chave. Eu falei: 'Isso agora vai dar certo e eu vou conseguir viver somente das minhas vendas'", lembra.
Mais do que um reconhecimento, aquela conquista trouxe algo que durante muito tempo parecia distante: confiança.
Naquele período, a família também enfrentava dificuldades financeiras. O marido havia sido vítima de um golpe, e o casal precisava lidar com uma dívida que gerava preocupação constante.
Foi a renda obtida com as vendas que permitiu atravessar aquele momento.
"Não foram dias fáceis, mas foi possível, através dessa renda extra, arcar com os compromissos. Eu sou muito preocupada com a vida real. A gente não pode viver apenas por trás das telas, mas precisa honrar os nossos compromissos", afirma.
Aquela noite não resolveu todos os problemas, mas mudou algo fundamental. Pela primeira vez, Robéria conseguiu enxergar o empreendedorismo não apenas como uma fonte complementar de renda, mas como um projeto de vida. Era o início de uma nova fase, a fase em que o sonho começava a se transformar em realidade.
Mãe, servidora pública e empreendedora
Por trás das lives, das promoções e das centenas de pedidos entregues, existe uma rotina que poucas pessoas conheciam.
Durante anos, Robéria conciliou o empreendedorismo com dois vínculos no serviço público e a criação dos filhos. A jornada tripla, mãe, servidora pública e empreendedora, não era uma expressão de efeito. Era a realidade de todos os dias.
O empreendimento havia deixado de ser apenas uma fonte de renda. Tornou-se uma rede de vínculos construída ao longo dos anos. E a família fazia parte desse processo.
O filho mais velho, Manoel Júnior, cresceu acompanhando a rotina da mãe e passou a colaborar naturalmente nas atividades da loja. Separava produtos, organizava pedidos e ajudava nas entregas.
Mais tarde, Mateus passou a participar dos conteúdos produzidos para as redes sociais, aparecendo em vídeos, trends e ações que ajudavam a aproximar ainda mais a marca do público.
"O empreendedorismo feminino também dá essa oportunidade. Por mais que nos sobrecarregue, a gente fica mais próxima dos nossos filhos. Eles também vão nos ajudando. Vai separando um produto, vai entregando uma sacola. Tudo isso é colaboração e tudo isso é amor mútuo", afirma.
Com o passar dos anos, o negócio deixou de ser um projeto individual e passou a envolver toda a família. E foi justamente o crescimento dessa iniciativa que começou a provocar uma mudança importante.
A estabilidade do serviço público, que durante muito tempo representou segurança, passou a dividir espaço com um plano cada vez mais concreto: viver integralmente do próprio empreendimento.
Hoje, Robéria já deixou o cargo que ocupava no Estado e permanece vinculada apenas ao município. A decisão faz parte de um planejamento maior.
"Já deixei o Estado, sim. Não sou mais servidora pública do Estado. Ainda estou no município, mas estou me organizando para realmente viver do meu empreendedorismo, porque temos muito mais para impulsionar", revela.
Depois de anos conciliando diferentes jornadas, ela se prepara para dar mais um passo na trajetória construída com trabalho, disciplina e persistência. Desta vez, com um objetivo claro: dedicar-se integralmente ao negócio que nasceu dentro de casa e se transformou no principal projeto da sua vida.
Do depósito à loja: fé, oportunidade e um achado no Facebook
O maior desafio de Robéria já não era vender. Era receber.
A sala de casa, pequena e tomada por sacolas, caixas e mercadorias, não acompanhava mais o crescimento das vendas. As clientes chegavam para retirar pedidos, mas o espaço já não oferecia conforto nem privacidade.
"Eu trabalhava na live até meia-noite, tinha que dar conta de embalar todos os produtos, montar nota, para quando as clientes chegassem para pegar os produtos não demorarem. Porque eu não tinha onde ofertar conforto, um tempo para que elas ficassem confortavelmente. Meu maior desafio era promover essa qualidade de retirada de produtos para as minhas clientes", conta Robéria Sampaio.
Foi então que ela passou a olhar de forma diferente para um espaço que sempre esteve ali.
Ao lado do mercadinho da mãe havia um galpão utilizado como depósito. Onde muitos viam apenas um local de armazenamento, Robéria começou a enxergar uma oportunidade.
"Eu olhei assim e falei: 'Menina, eu vou pintar essa parede, vou colocar umas prateleiras e vou trazer para aqui meus produtos.' Pintei a primeira parede, coloquei. Depois falei: 'Meu Deus, não cabe mais. Vamos pintar outro lado.' E assim a gente foi pintando."
O que começou com uma única parede ganhou forma aos poucos.
As prateleiras aumentaram. Os produtos ocuparam novos espaços. As consumidoras passaram a opinar, sugerir melhorias e acompanhar cada etapa daquela transformação.
Mas ainda existia um obstáculo importante. Os móveis planejados que Robéria imaginava para a futura loja custavam muito mais do que ela podia investir naquele momento.
Foi então que surgiu uma oportunidade inesperada.
Após uma missa, enquanto navegava pelo Facebook Marketplace, encontrou um anúncio que chamou sua atenção.
"Eu estava numa missa e Deus disse claramente a mim: 'Abra o bazar do Facebook que os móveis da sua loja estão lá.' Quando eu cheguei, realmente, quando cliquei, estava lá o anúncio. O orçamento da prateleira era quase a metade do valor que eram os móveis todos prontos", relembra.
O proprietário havia encerrado as atividades da própria loja e estava vendendo todo o mobiliário. Desconfiada, Robéria pediu uma videochamada para conferir cada detalhe.
Era real.
Os armários, expositores e estruturas que ela precisava estavam ali por um valor muito abaixo do mercado.
Ela não pensou duas vezes.
"Eu vou comprar seus móveis."
Comprou antes mesmo de ter certeza de onde tudo seria instalado.
Parede por parede, prateleira por prateleira, o antigo depósito começou a se transformar no espaço que ela havia imaginado.
O sonho que nasceu entre caixas espalhadas pela sala de casa ganhou forma definitiva em 17 de novembro de 2025.
Dias antes da inauguração, Robéria publicou um vídeo nas redes sociais anunciando que finalmente realizaria um dos maiores sonhos da sua vida. Convidou suas "cheirosas" para conhecerem o novo espaço construído após anos de trabalho, persistência e renúncias.
A inauguração reuniu amigas, familiares, clientes, os filhos, o esposo e contou também com a presença do Padre Antoniel Batista, que participou da bênção do empreendimento.
Para Robéria, aquele momento representava muito mais do que a abertura de uma loja.
Representava a concretização de uma caminhada construída com fé, resiliência e muito trabalho.
"Eu estava em êxtase. Foi transformador ver o sonho de Deus ali pronto", diz.
O espaço que antes servia para armazenar mercadorias tornou-se a materialização de algo muito maior: a prova de que sonhos construídos aos poucos também podem ganhar endereço.
A loja que nasceu de um sonho
Ao nos receber na loja própria, Robéria Sampaio faz questão de mostrar cada detalhe da transformação que converteu o antigo depósito da família em um espaço pensado para acolher suas clientes.
O empreendimento, que começou em uma sala de casa, hoje gera emprego e renda. Atualmente, a loja conta com uma colaboradora fixa e, em períodos de maior movimento, como datas comemorativas, recebe reforço de profissionais contratados para atender ao aumento da demanda.
A tecnologia também passou a integrar a rotina da empresa. Robéria utiliza recursos de inteligência artificial para auxiliar no atendimento online, automatizar processos e otimizar tarefas do dia a dia, conciliando inovação com a proximidade que se tornou uma das características mais marcantes do negócio.
Enquanto apresenta o espaço, ela relembra o início de tudo. O local onde hoje estão as prateleiras organizadas e os produtos expostos era apenas um depósito do minimercado da família. Foi ali que nasceu o "quarto rosa", como ficou conhecido entre as clientes o primeiro espaço ocupado por Robéria antes da ampliação da loja.
Inaugurado em novembro de 2025, o empreendimento foi abençoado pelo Padre Antoniel Batista e celebrado por familiares, amigas e clientes que acompanharam sua trajetória desde os primeiros passos.
Para Robéria, cada detalhe daquele espaço representa a concretização de uma caminhada construída ao longo de anos de trabalho, fé e dedicação.
Quando vender se transforma em confiança
Ao longo dos anos, Robéria percebeu que vender não era suficiente. Era preciso orientar.
Por isso, passou a investir constantemente em treinamentos, capacitações e atualizações sobre os produtos que comercializa. A cada lançamento, busca conhecer fórmulas, indicações, benefícios e diferenciais para oferecer uma orientação segura às clientes.
Na prática, isso transformou sua relação com o público.
Muitas pessoas chegam à loja procurando um produto específico e saem levando outro, não porque foram persuadidas a comprar mais, mas porque receberam uma recomendação adequada às suas necessidades.
"Conhecendo Robéria Sampaio, você entende que não está apenas comprando um produto. Você também recebe uma consultoria. Eu passo a conhecer você e indicar justamente aquilo que vai servir melhor para sua pele, para o seu cabelo e para o seu tratamento diário", afirma.
Essa postura explica por que tantas clientes permanecem fiéis ao longo dos anos.
Para João Jardelino, especialista em marketing do Sebrae-JP, a construção dessa confiança é um dos ativos mais valiosos para qualquer empreendimento: "Passar sinceridade e orientar o cliente gera confiança, retenção e fidelização. O cliente se torna promotor da marca, trazendo resultados duradouros."
Tayonara é uma dessas clientes: "Faço questão de indicar a Robéria porque, além da variedade de produtos que ela tem na loja, existe um atendimento diferenciado. Às vezes eu até digo: se você quiser, eu mesma vou lá buscar", conta.
Mais do que vender perfumes e cosméticos, Robéria construiu algo que não cabe em uma prateleira: credibilidade.
E foi essa credibilidade, desenvolvida atendimento após atendimento, que ajudou a transformar clientes em divulgadoras espontâneas da marca e da própria empreendedora.
O que a trajetória de Robéria ensina














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