Vereadora Jô Oliveira afirma que biologia não define mulher e defende Erika Hilton na Comissão das Mulheres


A vereadora Jô Oliveira se posicionou publicamente sobre a escolha da deputada federal Erika Hilton para presidir a Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados. Durante entrevista, a parlamentar defendeu a legitimidade da representação de mulheres trans no espaço e destacou a importância da diversidade na construção de políticas públicas.

Ao ser questionada sobre o fato de uma mulher trans ocupar um cargo que, segundo o questionamento, poderia ser destinado a uma “mulher biológica”, Jô Oliveira afirmou que o próprio questionamento já traz uma visão limitada sobre o tema.

Segundo ela, a Comissão da Mulher historicamente sempre foi ocupada por mulheres e continua sendo. A vereadora ressaltou que o atual momento do Congresso Nacional é marcado por avanços na representatividade, citando a presença inédita de duas parlamentares trans na Câmara. “A gente vive um momento ímpar, porque pela primeira vez temos mulheres trans ocupando esses espaços, trazendo um olhar que historicamente foi invisibilizado”, afirmou.

Jô Oliveira destacou ainda que a atuação de Erika Hilton vai além de uma pauta individual, representando diferentes grupos sociais. Para a vereadora, a deputada fala por mulheres em sua pluralidade, incluindo mulheres negras, pobres e trans, grupos que, segundo ela, estão entre os mais vulneráveis à violência no país. Ela também reforçou dados sobre a realidade brasileira: “O Brasil é o país que mais mata mulheres trans no mundo. Então, essa representação é necessária”.

Durante a entrevista, a vereadora rejeitou a ideia de criar uma comissão específica apenas para mulheres trans. Para ela, isso fragmentaria o debate e enfraqueceria a construção coletiva.“As mulheres trans também são mulheres. Se a gente começar a separar, daqui a pouco vai ter uma comissão para cada grupo. O importante é entender a pluralidade das mulheres dentro de um mesmo espaço”, pontuou.

Ao abordar a questão biológica, Jô Oliveira afirmou que acredita na ciência, mas defendeu que a definição de mulher não pode ser reduzida apenas a aspectos biológicos. “A gente não pode usar a biologia como fator isolado para definir quem é mulher. Existe uma construção social, cultural e política que também precisa ser considerada”, disse.

Sobre críticas envolvendo falas polêmicas atribuídas a Erika Hilton nas redes sociais, a vereadora afirmou não ter conhecimento dessas declarações e ressaltou que termos como “mulher cis” fazem parte de conceitos utilizados nas ciências sociais.

Por fim, Jô Oliveira reafirmou sua posição favorável à presidência de Erika Hilton na Comissão da Mulher, classificando o momento como um avanço na ampliação da representatividade. “É um salto para requalificar a presença das mulheres e reconhecer a diversidade de quem nós somos enquanto mulheres no Brasil”, concluiu.

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