A renúncia da presidente do Conselho Regional de Enfermagem da Paraíba (Coren-PB), Rayra Beserra, ganhou novos desdobramentos após pronunciamento do professor e enfermeiro Adriano Lourenço, publicado em suas redes sociais há três dias. No vídeo, ele afirma que a saída da gestora não estaria ligada apenas a “questões pessoais”, como declarado por ela, mas a uma crise institucional formalizada junto ao Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).
Rayra Beserra, que encerraria o segundo mandato este ano, utilizou suas redes sociais para agradecer aos que confiaram seu voto e informou que a decisão de deixar a presidência foi motivada por razões pessoais. No entanto, segundo Adriano Lourenço, há um documento protocolado no Cofen que aponta denúncias graves contra a condução administrativa da então presidente.
“Um Coren que mais parece um Carnaval, inerte”, disparou o professor, ao afirmar que a enfermagem paraibana estaria sem representação efetiva.
O documento citado por Adriano trata-se de uma manifestação registrada na Ouvidoria do Cofen sob o Protocolo COFEN 17634164911113699461, classificada como denúncia de irregularidades e abuso de poder no âmbito do Coren-PB
A denúncia foi assinada por sete conselheiros regionais, incluindo dois membros da diretoria, e aponta supostas condutas incompatíveis com os princípios da administração pública e com o Regimento Interno do Conselho.
Entre as principais acusações destacadas no documento estão:
Os conselheiros relatam que, durante reuniões plenárias, o direito à fala e à livre manifestação de voto teria sido sistematicamente violado. Segundo o texto, conselheiros eram interrompidos ao fundamentar seus votos e pressionados a seguir a orientação da presidência, havendo inclusive ameaça de retirada do plenário
O documento afirma que a postura teria transformado o espaço democrático de debate em ambiente de imposição unilateral.
A denúncia também aponta decisões administrativas baseadas em preferências pessoais, em detrimento de critérios técnicos e da isonomia entre conselheiros
Entre os pontos mencionados estão:
• Escolha sigilosa de conselheiros para viagens e eventos;
• Repetição de nomes contemplados enquanto outros seriam excluídos;
• Realização de visitas de gestão no interior sem a presença ou conhecimento do conselheiro da região;
• Controle e alteração de agenda para atender interesses particulares.
O documento relata ainda supostos casos de assédio moral e retenção de valores devidos a conselheiros como forma de “castigo”, além da não autorização para participação em eventos científicos como instrumento de punição
A Corregedoria-Geral do Cofen, ao analisar preliminarmente a denúncia, considerou haver indícios suficientes de autoria e materialidade das irregularidades apontadas, sugerindo a instauração de processo administrativo disciplinar para assegurar contraditório e ampla defesa
O despacho também menciona a existência de uma “crise política instalada” no regional paraibano, destacando que seis dos nove conselheiros efetivos assinaram a denúncia
Posteriormente, foi publicada a Portaria COFEN nº 2504/2025, designando conselheira federal para emissão de parecer no prazo de 15 dias
Questionamentos levantados por Adriano Lourenço
Em sua fala, Adriano Lourenço sustenta que a renúncia estaria diretamente ligada ao avanço dessas apurações e à crise interna formalmente reconhecida pelo Cofen. Para ele, a enfermagem paraibana vive um momento delicado de representatividade.
Até o momento, não há decisão final do Cofen sobre o caso. O processo segue em tramitação.
A reportagem permanece aberta para manifestação da ex-presidente Rayra Beserra e da atual direção do Coren-PB.



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