Os dados oficiais de despesas públicas na Paraíba trouxeram à tona um cenário que merece reflexão. O Governo do Estado ultrapassou a marca de R$ 40 milhões em gastos com diárias, enquanto os 223 municípios paraibanos, somados, utilizaram aproximadamente R$ 28 milhões no mesmo período.
A disparidade numérica chama atenção. Como pode um único ente administrativo gastar mais com diárias do que todas as prefeituras do Estado juntas? O que explica essa diferença tão expressiva? A estrutura estadual é realmente tão mais demandada em deslocamentos a ponto de justificar uma distância superior a R$ 12 milhões?
Os municípios são responsáveis por serviços essenciais que impactam diretamente o dia a dia da população, como atenção básica em saúde, manutenção de escolas, obras urbanas e programas sociais. Mesmo diante dessas atribuições amplas e da diversidade territorial, o total gasto por eles ficou abaixo do montante desembolsado pelo Executivo estadual apenas com diárias.
Os números também revelam que, nas maiores cidades paraibanas, João Pessoa e Campina Grande, os valores empregados permanecem inferiores aos gastos registrados por alguns órgãos estaduais, considerando os anos analisados. Isso reforça o debate sobre critérios de planejamento, controle e necessidade real dessas despesas.
É evidente que o pagamento de diárias é instrumento legal e previsto para cobrir deslocamentos oficiais. No entanto, a legalidade não elimina a necessidade de razoabilidade. Quantas dessas viagens eram indispensáveis? Houve alternativas mais econômicas? Existe um controle rigoroso de metas, resultados e comprovação de interesse público?
Em tempos de cobranças por mais investimentos em áreas sensíveis como saúde, segurança e infraestrutura, o cidadão tem o direito de questionar prioridades. Transparência não é apenas publicar números; é explicar de forma clara por que se gasta, quanto se gasta e qual retorno efetivo isso traz para a sociedade.
Quando os dados revelam uma diferença dessa magnitude, o debate não pode ser tratado como algo trivial. A pergunta que fica é simples e direta: esse volume de gastos com diárias atende ao interesse público ou revela um modelo administrativo que precisa ser revisto?



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