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A Daniella de 2020 desmentiria a Daniella de 2026?

Na política paraibana, alianças não mudam. Elas simplesmente capotam. E, às vezes, sem aviso prévio.

Em 2020, a então aliada vibrava com a vitória. A senadora Daniella Ribeiro comemorava, sorridente, ao lado de Cícero Lucena, celebrando mais de 185 mil votos e classificando o prefeito como “o mais preparado”, “um gigante”, “um grande gestor”. A vitória era “do povo de João Pessoa”. A campanha foi descrita como uma grande alegria. Havia entusiasmo, convicção e elogios públicos.

Corta para 2026.

O mesmo Cícero Lucena, agora pré-candidato ao Governo do Estado, passa de “gigante” a gestor de uma administração que seria “uma lástima, um caos”. O tom muda. O palco é outro. A entrevista à Rádio Pop traz uma troca de farpas públicas, com direito a acusações sobre possível renúncia para favorecer suplente e desmentidos em seguida. O que antes era parceria, hoje é confronto aberto.

E é aí que surge a pergunta inevitável: o que mudou? A cidade? A gestão? Ou o posicionamento político?

Se a administração era competente em 2020, deixou de ser por quê? Se era “o melhor para cuidar da cidade”, em que momento se tornou “um caos”? A mudança foi técnica ou estratégica? Programática ou eleitoral?

Na política, divergências são naturais. O que chama atenção não é o rompimento. É a velocidade da transformação no discurso. Aquele que era exemplo de competência passa, em poucos anos, a símbolo de fracasso administrativo. E tudo isso com os mesmos atores, a mesma cidade e, em grande parte, a mesma estrutura de gestão.

É legítimo discordar. É legítimo romper. O que a opinião pública tem dificuldade de entender é a elasticidade narrativa.

Quando aliados se tornam adversários, a memória coletiva cobra coerência. Porque, se ontem era o melhor gestor, e hoje é um desastre, alguém estava errado em algum momento. Ou o elogio foi exagerado, ou a crítica é conveniente.

No fim das contas, a sensação que fica é que, na política paraibana, não há apenas mudança de rota. Há capotamento completo de discurso.

E o eleitor, esse sim, fica no banco de trás tentando entender em que curva tudo virou de cabeça para baixo.

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