Vigilantes que prestam serviço em órgãos do Governo da Paraíba denunciaram uma série de irregularidades trabalhistas envolvendo a empresa Kairos Segurança Privada. As queixas incluem atrasos recorrentes no pagamento de salários, vale-alimentação, FGTS, férias e até o não repasse de valores descontados em folha referentes a empréstimos consignados e contribuições sindicais.
Segundo relatos apresentados pelo presidente do Sindicato dos Vigilantes de Campina Grande, Edinir Bernardo, há trabalhadores que estão há cerca de cinco meses sem receber o vale-alimentação. Em alguns casos, os atrasos se estendem também aos salários. Parte desses vigilantes atua em contratos vinculados à Secretaria de Esportes, incluindo postos de trabalho no Estádio Amigão.
De acordo com o sindicato, o problema não se limita a um único local. A Kairos mantém aproximadamente dois mil vigilantes em atividade no estado, com contratos que abrangem diversas secretarias e órgãos públicos, como Educação, Esportes, Meio Ambiente e outros. A maior parte desses vínculos, conforme a entidade sindical, está ligada diretamente ao Governo do Estado.
Outro ponto considerado grave é o desconto em contracheque de valores que não estariam sendo repassados aos destinatários. O sindicato afirma que contribuições sindicais vêm sendo descontadas há cerca de seis meses sem o devido repasse, prática que pode configurar apropriação indébita. Situação semelhante ocorre com empréstimos consignados: mesmo com os descontos efetuados, os valores não chegam às instituições financeiras, o que tem levado trabalhadores à inadimplência e a restrições de crédito.
O presidente do sindicato relatou ainda que, somente no ano passado, foram ajuizadas 23 ações contra a empresa na Justiça do Trabalho. Em 2026, outras quatro ações já teriam sido protocoladas. A entidade afirma encaminhar ofícios mensalmente cobrando a regularização dos pagamentos, mas sem resposta efetiva.
Há, segundo o sindicato, um impasse de versões: o Governo do Estado afirma estar em dia com os repasses contratuais, enquanto a empresa sustenta atrasos por parte do poder público. Informações extraoficiais apontariam que a Secretaria de Esportes estaria com pagamentos em atraso há alguns meses, o que é negado oficialmente pelo Estado.



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