Vereador Anderson Pila cobra regularização de pagamentos e alerta para crise na rede hospitalar


O vereador Anderson Pila afirmou que hospitais filantrópicos e privados que prestam serviços ao Sistema Único de Saúde (SUS) em Campina Grande ameaçam paralisar as atividades até o fim do mês devido à falta de repasses financeiros por parte da Prefeitura. A declaração foi feita durante reunião entre parlamentares e representantes das instituições de saúde, realizada nesta terça-feira (27).

Segundo o vereador, os empresários do setor relataram que, apesar de os recursos federais estarem sendo recebidos regularmente pelo município, os valores não estão sendo transferidos às unidades hospitalares. Pila destacou que, somente em 2025, Campina Grande recebeu mais de R$ 500 milhões em repasses do governo federal para a saúde, o maior volume da história do município. Em 2026, de acordo com o parlamentar, já foram recebidos mais de R$ 17 milhões apenas para o teto da Média e Alta Complexidade (MAC).

O vereador explicou que os recursos do MAC são destinados justamente ao pagamento dos serviços prestados pelas instituições que complementam a rede pública de saúde. No entanto, segundo ele, quando os valores entram no Fundo Municipal de Saúde, não são repassados integralmente aos hospitais responsáveis pelos atendimentos.

Durante a reunião, Anderson Pila defendeu mudanças no modelo de pactuação da saúde em Campina Grande. Ele ressaltou que o município opera em gestão plena, concentrando os recursos no Fundo Municipal de Saúde, e afirmou que há uma luta para implantação da chamada pactuação dupla, que permitiria que os hospitais escolhessem receber diretamente do governo federal ou por meio do Estado. Segundo ele, o Hospital Help já conseguiu esse modelo, com pagamento direto, e o objetivo é estender a alternativa às demais instituições.

O parlamentar também anunciou que irá acionar o Ministério Público da Paraíba para investigar possíveis irregularidades nos repasses. De acordo com Pila, existem dois pedidos de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) em tramitação na Câmara Municipal de Campina Grande, incluindo apurações sobre emendas parlamentares que teriam sido direcionadas a hospitais específicos, mas não chegaram ao destino final após entrarem nas contas do município.

Ao comentar a atuação do Ministério Público, o vereador afirmou que espera uma postura mais firme diante do cenário. Para ele, a situação se arrasta desde março do ano passado sem solução efetiva, o que exige uma resposta mais contundente dos órgãos de controle.

Sobre a nova reunião marcada para esta quarta-feira, com a presença dos secretários municipais de Saúde e de Finanças e do prefeito Bruno Cunha Lima, Anderson Pila demonstrou ceticismo quanto a uma solução imediata. Segundo o vereador, a resolução do problema depende de vontade política e, caso isso não ocorra, o município pode caminhar para uma intervenção na saúde.

“O risco é vermos pessoas sem atendimento, morrendo nas portas dos hospitais. Se não houver solução, uma intervenção pode se tornar necessária”, alertou.

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