Pensada para ser a maior força política do país, a Federação União Progressista ostenta no ano eleitoral discordâncias internas tão superlativas quanto seu tamanho formal. Ela é formada por dois partidos do centrão (PP e União Brasil) e prestes a ser formalizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está muito longe da sonhada representação de unidade. Na Paraíba, assim como em outros 12 estados, os partidos estão em pé de guerra e, necessariamente, vão sofrer perdas dependendo do caminho que tomem na relação paroquial de poder.
Por aqui, resta a dúvida de com quem a Federação ficará. Estará com o vice-governador Lucas Ribeiro (PP) ou ficará com o senador Efraim Filho (União Brasil)? Como os dois são pré-candidatos ao governo, não poderá haver conciliação. Alguém terá que deixar o partido para trilhar outro caminho. Efraim acha que ganhará a parada, por estar alinhado com a direção nacional da federação, que tem preferência pelo pré-candidato bolsonarista Flávio Bolsonaro (PL) para a disputa da Presidência. Lucas acha que por estar no poder e concorrer à reeleição, terá as bênçãos do partido.
Mas o problema não é só da Paraíba. Aqui pertinho, em Pernambuco, Mendonça Filho (União) está em guerra com Dudu da Fonte (PP). O primeiro quer abraçar a pré-candidatura do prefeito João Campos (PSB) ao governo, enquanto o segundo prefere a reeleição da governadora Raquel Lira (PSB). Se formos para Goiás, a bronca é do governador daquele estado, Ronaldo Caiado (União), com o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PI). O gestor quer a todo custo ser candidato a presidente da República, mas o dirigente prefere o apoio a Flávio Bolsonaro.
As brigas se estendem por Paraíba, Pernambuco Alagoas, Maranhão, Tocantins, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Amazonas e Acre. E isso no momento em que tendo os partidos formalizado ao TSE o pedido para se federarem, aguardam apenas a formalização do acordo. A legislação diz que as duas agremiações precisam ficar juntas por no mínimo quatro anos, período em que funcionarão como uma única agremiação, inclusive compartilhando o mesmo líder no Congresso Nacional.
Os desentendimentos são fruto de um ‘casamento’ por interesse. A estrutura reunirá 108 deputados, a maior configuração da Câmara, e 12 senadores, o que a deixará atrás apenas do PL e do PSD. Juntos, os partidos terão ainda um fundo partidário de R$ 954 milhões, além de seis governadores e 1.343 prefeitos, maior número entre as legendas. É muito poder de barganha e muito dinheiro nas mãos dos dirigentes, mesmo que para isso, as duas siglas percam muitas lideranças. A conferir.
BlogdoSuetoni



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