O diretor da Fundação Assistencial da Paraíba (FAP), Dérlopidas Neves, afirmou que a reunião realizada nesta terça-feira (27), na Câmara Municipal de Campina Grande, teve como principal objetivo pedir apoio dos vereadores diante da crise financeira enfrentada pelos hospitais filantrópicos e privados do município.
Segundo ele, o encontro foi articulado após contato com o presidente da Casa Legislativa, Saulo Germano, que prontamente marcou a reunião para que os representantes dos hospitais pudessem expor a situação. Dérlopidas destacou que a mesma apresentação já havia sido feita anteriormente à promotora da Saúde, Adriana Mourinho, na tentativa de buscar uma solução institucional.
De acordo com o diretor, os hospitais prestam serviços essenciais à população de Campina Grande, mas não estão sendo remunerados pelos atendimentos realizados. Ele afirmou que, embora os recursos federais cheguem ao município, incluindo valores destinados à média e alta complexidade e emendas parlamentares, os repasses não estão sendo efetuados às instituições de saúde.
“O ano de 2025 foi um ano de diálogo. As emendas começaram a chegar em julho, mas não chegam às instituições que prestam os serviços. O recurso entra na conta do município, mas não é pago aos hospitais”, declarou.
Dérlopidas Neves ressaltou que a situação financeira se tornou insustentável, com fornecedores e folhas de pagamento em atraso, além de dificuldades para manter certidões obrigatórias em dia. Segundo ele, esse cenário compromete diretamente a qualidade da assistência prestada à população.
Durante a reunião, o diretor também destacou a importância da atuação do Ministério Público da Paraíba no acompanhamento do caso. Ele afirmou confiar no trabalho da promotora Adriana Mourinho e acredita que, com o apoio dos vereadores, será possível encontrar um caminho para o recebimento dos valores devidos.
Outro ponto enfatizado foi o impacto da defasagem da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com Dérlopidas, cerca de 92% dos atendimentos realizados pela FAP são destinados ao SUS, que remunera procedimentos com valores considerados incompatíveis com os custos atuais, agravando ainda mais a crise quando os repasses não são feitos.
Questionado sobre a divergência de versões entre a Prefeitura e a oposição quanto à existência de recursos, o diretor foi enfático ao afirmar que os valores chegam regularmente ao município. “Nós acompanhamos. Sabemos o dia, a hora e a conta em que os recursos são depositados, mas eles não são repassados às instituições”, disse, acrescentando que tanto os recursos da média e alta complexidade quanto as emendas parlamentares têm destinação específica.
Ao final, Dérlopidas Neves informou que uma nova reunião está marcada para esta quarta-feira, com a presença dos secretários municipais de Saúde e de Finanças, além do prefeito Bruno Cunha Lima. A expectativa, segundo ele, é de resolutividade para evitar o avanço do que classificou como um processo de falência dos hospitais e garantir a continuidade do atendimento aos pacientes.



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