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Populismo de Bolsonaro contamina campanhas de Cícero e de Ricardo



O populismo adotado pelo presidente Jair Bolsonaro em programas assistencialistas do governo federal, como parte da campanha antecipada à reeleição ao Planalto em 2022, contaminou campanhas de candidatos distintos a prefeito de João Pessoa como o ex-governador Ricardo Coutinho, que se diz socialista e se orgulha de ser discípulo do ex-presidente Lula da Silva, e o ex-prefeito Cícero Lucena, ex-PSDB, atual PP, situado na centro-direita. Ricardo prometeu criar um Cartão Alimentação Municipal para levar comida à mesa de milhares de famílias de baixa renda de João Pessoa. “É uma ação que gera segurança alimentar para a população e ao mesmo tempo aquece a economia local, gerando receita para os pequenos comerciantes nos bairros e gerando empregos”, discursou Ricardo, convicto de estar inventando a roda.

Já o candidato a prefeito Cícero Lucena procurou focar, na abertura da sua campanha, na questão da Saúde Pública, acenando com a entrega de medicamentos a domicílio a famílias pobres, em estado de profunda vulnerabilidade social, praticamente numa repetição de modelo que colocou em prática numa das suas gestões à frente da prefeitura de João Pessoa. Enquanto isso, a candidata apoiada pelo prefeito Luciano Cartaxo, do PV, Edilma Freire, tem se colocado em praticamente todas as suas intervenções públicas no papel de “cuidadora de crianças e idosos”, ao mesmo tempo em que massifica a proposta de continuidade de ações atribuídas à atual administração, com destaque para a preservação de praças e ambientes de lazer e investimentos na educação e na infraestrutura. Ela foi secretária de Educação da prefeitura e, segundo Cartaxo, fez uma verdadeira “revolução silenciosa” na Pasta.

Outros candidatos, de Raoni Mendes, do Democratas, a Walber Virgolino, do Patriotas, passando por Ruy Carneiro, do PSDB, mesclam sugestões assistencialistas com ideias “arrojadas” como a de aperfeiçoamento do conceito de “Cidade Inteligente” aplicado a João Pessoa, o que englobaria a apropriação de mecanismos modernos de gestão pública que, segundo se suspeita, teriam efeito milagroso a curto prazo do ponto de vista de revolucionar o desenvolvimento da Capital paraibana. Em linhas gerais, pelo esboço demonstrado na largada da campanha à prefeitura de João Pessoa, não há nada de novo sob o sol nem propostas diferenciadas que sejam realmente exequíveis e possam empolgar o eleitorado. Daí porque a campanha começa sob o signo da apatia, conforme detectado em sondagens informais junto a grupos de eleitores.

O “grande fato” de repercussão do início da campanha na Capital foi a queixa feita com estardalhaço pelo candidato do MDB, Nilvan Ferreira, de que teria sido vítima de um atentado que, felizmente, não causou vítimas. Para o seu adversário João Almeida, candidato do Solidariedade a prefeito, o que houve com o radialista foi um “pseudo atentado”, uma “farsa” montada para tentar extrair dividendos eleitorais. Almeida se disse arrimado em experiência de 26 anos como policial. Insinuando que a versão repassada por Nilvan sobre ameaça de intimidação sofrida durante evento de campanha, ontem, está cheia de “furos”, João Almeida ironizou: “Atentado em começo de eleição só pode ter dois motivos: ou o cara está devendo muito na praça, tem muitos inimigos ou isso foi montado para chamar a atenção. Pelo amor de Deus, chega de  fake news”. O radialista disse ter sido abordado durante um “bandeiraço” na orla marítima por um homem armado que, em meio à algazarra criada, logrou fugir sem conseguir perpetrar ato de violência.

Abstraindo incidentes, Nilvan é outro postulante a prefeito em João Pessoa que se vale do paternalismo de propostas assistencialistas para conseguir atrair votos. O populismo de Bolsonaro, ainda tido em algumas áreas menos esclarecidas como “mito”, tem sua força no chamado “coronavoucher”, o auxílio emergencial que passou a ser pago a trabalhadores desempregados cuja situação se agravou no auge da epidemia do novo coronavírus em diferentes regiões do país. A experiência é, mais ou menos, uma cópia simplificada do “Bolsa Família”, que os governos de Lula tentaram apresentar como o maior programa de transferência de renda do mundo e que não passaram de projetos assistencialistas, com resultados temporários. No caso do “coronavoucher”, Bolsonaro já está sentindo dificuldades para bancar indefinidamente o auxílio num país cuja economia estagnou na pandemia, tanto assim que reduziu o valor inicial de R$ 600,00 para R$ 300,00, cuja durabilidade está a depender do Congresso Nacional.

O que pretensos candidatos “bolsominions” a prefeito de João Pessoa precisam tomar consciência é quanto à responsabilidade de preparar a Capital paraibana para os graves desafios pós-pandemia do coronavírus ou da Covid-19. Este é o grande desafio para o qual, sinceramente, alguns não parecem estar preparados porque sequer estão cercados na campanha de especialistas em Saúde Pública e em economia que lhes forneçam subsídios para programas de “pós-guerra”. Passada a eleição municipal, o Brasil ingressará nesse cenário que sucede a situação de terra arrasada em que vive com a proliferação da pandemia e a falta de vacina ou de perspectiva de vacinas. Mais do que de “cuidadores de gente” as Capitais e cidades vão precisar de líderes ativos, carismáticos e eficientes, com criatividade e capacidade de mobilização para levar populações a fazerem a travessia da calamidade sem maiores percalços ou sobressaltos.



osguedes

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