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Há 25 anos morria Mariz, no exercício do “Governo da Solidariedade”



Era um sábado, às 18h45. No dia 16 de setembro de 1995, na Granja Santana, residência oficial do governo da Paraíba, falecia, vitimado por um câncer, Antônio Marques da Silva Mariz, um dos mais combativos líderes políticos do Estado, com projeção nacional. Estava no exercício do que denominou de “Governo da Solidariedade”, que defendeu nas praças públicas com veemência e entusiasmo. No momento do desenlace, Antônio Mariz foi assistido por sua mãe, dona Noemi, a esposa Mabel, as filhas Adriana e Luciana, a irmã Inácia, genros e o médico Ricardo Maia. O então arcebispo metropolitano da Paraíba, dom José Maria Pires, deu a extrema-unção ao governador por volta das 11h30 daquela manhã. Na imprensa foi divulgado um boletim médico registrando a morte cerebral do paciente.

Mariz, que teve uma trajetória política marcante, com origens na cidade de Sousa, no Sertão paraibano, foi deputado federal, secretário de Educação do Estado, senador e governador, além de ter atuado como promotor público. Na Assembleia Nacional Constituinte, representando a Paraíba, ele obteve Nota Dez, de acordo com a avaliação do Diap (Departamento Intersindical de Assessoramento Parlamentar, órgão de defesa dos interesses dos trabalhadores). No exercício do mandato de senador, foi o relator do processo de impeachment do presidente Fernando Collor de Mello, em 1992. Votou pelo impeachment com base em farta documentação que provava ligações de Collor com um esquema de corrupção executado por seu ex-tesoureiro de campanha PC Farias. Tendo sido filiado à Arena, pro razões políticas locais, durante o regime militar, Mariz manteve postura de independência, integrando um grupo renovador no partido de sustentação do regime.

Em 78 desafiou as regras do sistema, enfrentando o professor Tarcísio Burity na convenção indireta da Arena para escolha de governador da Paraíba. Deu respaldo popular à sua pretensão e chegou a ser ameaçado de ter cassado o seu mandato como deputado federal por alegada indisciplina ou desobediência. Mariz atribuiu sua derrota ao rolo compressor que foi montado pelo candidato do oficialismo junto a convencionais da Arena. Em 1982, já filiado aos quadros do PMDB, candidatou-se a governador pela via direta, sendo derrotado por Wilson Braga (PDS) num pleito que ele considerou desigual devido à utilização de máquinas do governo para derrotá-lo. Em 1990, foi vitorioso disputando contra Marcondes Gadelha a única vaga de senador em jogo. Em 1994, conquistou finalmente o governo do Estado, derrotando a candidata Lúcia Braga. Infelizmente, não teve condições de levar à frente as metas que havia traçado.

Num desabafo que fez a Ronaldo Cunha Lima, que o visitou num hospital de São Paulo, numa de suas internações, Antônio Mariz definiu: “Quando eu tinha saúde, perdi o governo; quando ganhei o governo, perdi a saúde”. O corpo de Mariz foi velado em câmara ardente no Salão Nobre do Palácio da Redenção, de onde saiu o féretro para o Cemitério Senhor da Boa Sentença, exatamente às 18h do dia 17 de setembro de 1995. Quase uma hora depois, um cortejo com o corpo do governador, que fora transportado em uma viatura do Corpo de Bombeiros, escoltado por cadetes da Academia da Polícia Militar, chegou ao cemitério. Ali, um grupo de admiradores de Mariz fez uma homenagem cantando a música religiosa Segura Na Mão de Deus, seguindo-se uma salva de palmas que sacudiu toda a praça do Senhor da Boa Sentença. Autoridades conduziram o caixão até o túmulo e alguns políticos fizeram discursos. O corpo foi sepultado com todas as honras de um chefe de Estado. Seis governadores de Estados brasileiros vieram à Paraíba dar o último adeus a Antônio Mariz. Também compareceu o presidente da República em exercício, Marco Maciel.

– Antônio Mariz era um líder político singular – expressou o jurista e ex-deputado Inaldo Leitão, seu discípulo político. No transcurso dos 25 anos de sua morte, a Paraíba ainda reverencia as lições deixadas por um político extremamente ético, que deixou lições de austeridade à frente da irrepreensível atuação política desempenhada no Estado e no cenário nacional.



osguedes

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