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Estudos apontam que uso precoce de hidroxicloroquina é responsável por redução de cerca de 80% nas chances de infecção por coronavírus em profissionais de saúde

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Na Índia
Três estudos indianos revelam que a hidroxicloroquina reduz as chances de contrair Covid-19, de modo que o Conselho Indiano de Pesquisa Médica (ICMR) permitiu que mais profissionais da linha de frente tomem a HCQ como um medicamento preventivo, segundo o Indian Today.

O Conselho Indiano de Pesquisa Médica (ICMR), o principal órgão do país, afirma que consumir o medicamento hidroxicloroquina (HCQ) reduz as chances de ser infectado pelo Covid-19. Como resultado, o ICMR divulgou no dia 22 de maio um comunicado para expandir o uso da HCQ como tratamento preventivo contra o coronavírus chinês.

A conclusão foi tirada com base em três estudos conduzidos pelo ICMR.

O comunicado sugere que profissionais de vigilância, paramilitares e policiais, além de equipes médicas que trabalham em hospitais sem covid e clínicas ou blocos modulares de hospitais que tratam a covid-19 comecem a consumir o medicamento como “terapia preventiva”.

O ICMR emitiu um comunicado para começar a usar a HCQ em março, mas recebeu críticas por “falta de evidências científicas” de que o medicamento funcionasse contra o coronavírus chinês.

Os estudos

De acordo com o comunicado, o principal órgão de saúde indiano realizou pesquisas em três hospitais do governo central em Nova Délhi. Embora não tenha revelado os nomes dos hospitais, o órgão disse que a pesquisa indica que “entre os profissionais de saúde envolvidos nos cuidados com a Covid-19, aqueles em profilaxia com HCQ eram menos propensos a desenvolver infecção por SARS-CoV-2, em comparação com aqueles que não fizeram o tratamento profilático”.

O comunicado também afirma que o Instituto Nacional de Virologia de Pune descobriu em testes de laboratório que a HCQ reduz a carga viral.

O ICMR também analisou dados coletados anteriormente, conhecidos como análise retrospectiva de “caso-controle”, e encontrou uma relação “significativa” entre “o número de doses tomadas e a frequência de ocorrência da infecção por Covid-19 em profissionais de saúde sintomáticos que foram testados para a infecção de SARS-CoV -2”.

Além disso, o órgão afirmou que “o benefício foi menos notável nos profissionais de saúde que cuidam de uma população geral de pacientes”.

Outro estudo observacional foi realizado entre 334 profissionais de saúde do maior hospital público do país, o Instituto de Ciências Médicas All India de Nova Délhi (AIIMS). Os 248 trabalhadores, que tomaram a HCQ como medicamento preventivo por uma média de 6 semanas, tiveram menor incidência da infecção do que aqueles que não tomavam o medicamento.

O estudo de controle de caso do ICMR também revelou que o consumo de quatro ou mais doses de hidroxicloroquina levou a um declínio significativo nas chances de os profissionais de saúde serem infectados com a infecção por coronavírus.

O estudo diz que “simplesmente iniciar a profilaxia de HCQ não reduziu as chances de adquirir a infecção por Covid-19 entre os profissionais de saúde. No entanto, com a ingestão de quatro ou mais doses de manutenção do HCQ, o efeito protetor começou a emergir. Uma redução significativa de cerca de 80% nas chances de infecção pelo Covid-19 nos profissionais de saúde foi identificada com a ingestão de seis ou mais doses de profilaxia com HCQ. Essa relação dose-resposta acrescentou força aos resultados do estudo”.

“Biologicamente, parece plausível que a profilaxia de HCQ, antes do início da infecção, possa inibir o vírus de se estabelecer”, disseram os pesquisadores no estudo.

A Força Tarefa Nacional para o coronavírus na Índia recomendou uma dose de manutenção 1 vez por semana por 7 semanas, isto é, 400 mg uma vez por semana, após a dose inicial de 400 mg. A adesão a este regime recomendado é atestada pelos resultados do estudo, disseram os pesquisadores.

Os cientistas que foram coautores do estudo disseram: “Observou-se que na quarta semana em diante há uma redução de risco de contração do vírus Covid-19 se a dose de manutenção estiver sendo tomada conforme prescrito por 7 semanas. É claro que isso não descarta a minimização do risco daqueles profissionais da linha de frente que estão tratando pacientes do Covid-19, enquanto usam EPIs e tomam outras precauções”.

Os dados foram coletados de 8 a 23 de maio de 2020. Médicos, enfermeiras, equipe de limpeza, guardas de segurança, técnicos de laboratório e técnicos de operações, testados entre a primeira semana de abril de 2020 e a primeira semana de maio de 2020, formaram o conjunto de amostras do qual foram extraídos casos e controles.

O tamanho da amostra consistiu em 378 profissionais de saúde sintomáticos que apresentaram resultado positivo para coronavírus. Eles foram definidos como casos. 373 profissionais de saúde sintomáticos que apresentaram resultado negativo fizeram parte do grupo controle. Um total de 751 pessoas formou o tamanho da amostra para o estudo.

Desses, 58% dos casos e cerca de metade dos controles eram do sexo masculino.

“Dos 172 casos e 193 controles que relataram ingestão de HCQ, nenhuma diferença significativa na ocorrência de reações adversas a medicamentos foi observada”, observou o estudo.

Quais profissionais usarão a HCQ agora?

Com base nas descobertas dos estudos, o governo indiano decidiu administrar o medicamento como uma ‘profilaxia’ ou terapia preventiva a profissionais de saúde assintomáticos, que trabalham em hospitais sem covid-19, bem como em módulos hospitalares destinados ao tratamento de Covid-19.

Profissionais assintomáticos da linha de frente, como vigilantes implantados em zonas de contenção, além de policiais e paramilitares envolvidos em atividades relacionadas à Covid-19, deverão tomar pílulas de HCQ.

Até agora, apenas indivíduos de alto risco, incluindo profissionais de saúde assintomáticos envolvidos na contenção e tratamento de pacientes com Covid-19, e contatos domésticos assintomáticos de casos confirmados em laboratório estavam sendo administrados com o medicamento. Eles continuarão a consumir a HCQ.

Embora a dosagem permaneça a mesma de antes, 8 semanas, o comunicado do ICMR sugere que o medicamento também pode ser usado além desse período, mas com monitoramento rigoroso.

“Com evidências disponíveis para sua segurança e efeito benéfico como um medicamento profilático contra o SARS-CoV-2 durante o período de 8 semanas recomendado anteriormente, os especialistas recomendaram ainda mais o seu uso além de 8 semanas, em dosagem semanal com monitoramento rigoroso dos parâmetros clínicos e de ECG, o que também garantiria que a terapia seja administrada sob supervisão”, afirmou.

“Na prática clínica, a HCQ é geralmente prescrita em doses diárias de 200 a 400 mg para o tratamento de doenças como artrite reumatoide e lúpus eritematoso sistêmico por períodos prolongados de tratamento com boa tolerância”, acrescentou o comunicado.

Interrompa se forem notados “efeitos colaterais raros”

O ICMR havia anunciado anteriormente que alguns efeitos colaterais, como dor abdominal e náusea, foram observados em profissionais de saúde que receberam HCQ.

A HCQ é frequentemente responsabilizada por desencadear batimentos cardíacos irregulares. No entanto, nos resultados finais dos estudos (profilaxia do HCQ entre 1.323 profissionais de saúde), o ICMR encontrou efeitos adversos leves, como náusea em 8,9% dos profissionais, dor abdominal em 7,3%, dor de cabeça  em 5%,  diarreia  em 4%, vômitos em 1,5%, baixo nível de açúcar no sangue ( hipoglicemia) em 1,7% e efeitos cardiovasculares em 1,9%. Embora em nenhum dos controles da HCQ tenha registrado queixas de palpitações, apenas um caso (1/172, 0,6%) relatou o mesmo. Pouquíssimos casos (0,6%) e dos controles (1,4%) apresentaram erupções cutâneas após consumir hidroxicloroquina.

O comunicado indica que o medicamento deve ser descontinuado se causar efeitos colaterais “raros” relacionados ao coração, como cardiomiopatia, uma doença que dificulta o coração bombear sangue para todo o corpo e distúrbios da frequência cardíaca.

O comunicado menciona que a HCQ, em casos raros, pode causar distúrbios visuais, incluindo “desfoque de visão, que geralmente é autolimitado e melhora após a interrupção do medicamento”.

O ICMR esclareceu que “pelas razões citadas acima – coração e visão – o medicamento deve ser administrado sob rigorosa supervisão médica e com um consentimento informado”.

Fontes: India Today, The Print, ICMR, HT, Indian Journal of Medical Research.

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