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Turmalina Paraíba: Cabral entrega 27 joias escondidas; peça mais cara, brinco custou R$ 612 mil


A defesa do ex-governador Sérgio Cabral entregou à Polícia Federal 27 joias que ele mantinha escondidas com pessoas próximas desde sua prisão, em novembro de 2016. A apreensão desses bens faz parte do acordo de delação premiada homologado no STF (Supremo Tribunal Federal).
Reportagem da Folha apurou que no lote entregue à PF está a peça mais cara adquirida por Cabral. Trata-se do brinco espeto de turmalina paraíba com diamantes, que custou R$ 612 mil. Outras duas peças com a pedra rara também foram entregues às autoridades: um colar (R$ 229 mil) e um anel (RS 159 mil).
As três foram adquiridas na joalheria Antônio Bernardo para presentear a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo em seu aniversário de 42 anos.
Os colares, anéis e brincos foram entregues à PF no dia 20 de fevereiro no aeroporto do Galeão, duas semanas após o ministro Edson Fachin, do STF, homologar a delação do ex-governador, negociada diretamente com a Polícia Federal.
O procurador-geral da República, Augusto Aras, tentou reverter a homologação do acordo, por considerar que Cabral ainda omite fatos e não apresenta novos crimes além dos já identificados de forma independente pelas investigações. Fachin, contudo, manteve sua decisão no dia 6.
O sumiço das joias mais valiosas era um dos pontos de resistência dos procuradores do Rio à delação de Cabral. Eles também consideram que o ex-governador não apresentou fatos novos.
As joias são apontadas pelo Ministério Público Federal como uma das formas usadas por Cabral e a mulher para lavar o dinheiro obtido com propina junto a fornecedores do estado.
Segundo dados das joalherias H. Stern e Antônio Bernardo, cujos donos firmaram delação premiada, o casal gastou R$ 6,5 milhões —há peças adquiridas em outras lojas.
A PF já havia apreendido 137 joias e relógios em duas operações na casa de Cabral no Leblon, na zona sul do Rio, em 2016. Na ação, contudo, as mais valiosas adquiridas por ele não haviam sido encontradas
—como o brinco espeto de turmalina paraíba com diamantes entregue em fevereiro.
A PF agora compara as 27 joias apreendidas com as listas de aquisições nas duas joalherias que colaboraram com as investigações, a fim de determinar o preço de compra de cada uma.
A defesa do ex-governador afirmou à polícia que entregou todas as peças que estavam em poder de pessoas ligadas a Cabral. Procurado pela reportagem, o advogado Márcio Delambert disse que não iria se manifestar sobre o caso.
O destino das peças recém-entregues será definido posteriormente pela PF e a Justiça.

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