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Dono do grupo Petrópolis é alvo de mandado de prisão na operação Lava Jato


Segundo o MPF (Ministério Público Federal) do Paraná, Faria ainda não foi preso porque teria deixado seu imóvel antes da chegada dos policiais federais pela manhã. Outros cinco mandados de prisão temporária (por cinco dias) contra executivos que estariam envolvidos no esquema foram expedidos, dos quais três já foram cumpridos.
Segundo as investigações, a Odebrecht admitiu em delação premiada que repassava dinheiro ao grupo Petrópolis no exterior, que, por sua vez, direcionava valores em espécie para campanhas políticas no Brasil.
O MPF afirma que, em uma conta mantida no banco Antigua Overseas, em Antigua e Barbuda, no nome da offshore Legacy International Inc., Walter Faria recebeu US$ 88,4 milhões da Odebrecht de março de 2007 a outubro de 2009.
Já entre agosto de 2011 e outubro de 2014, duas contas mantidas pelo executivo no EFG Bank na Suíça, em nome das offshores Sur trade Corporation S/A e Somert S/A Montevideo, receberam da Odebrecht, respectivamente, US$ 433,5 mil e US$ 18,1 milhão.
"Além de transferir, sem causa econômica aparente, valores no exterior para contas controladas pelo grupo Petrópolis, a Odebrecht, para creditar montantes que seriam depois disponibilizados para pagamentos ilícitos, realizou operações subfaturadas com o grupo cervejeiro, como a ampliação de fábricas, a compra e venda de ações da empresa Electra Power Geração de Energia S/A, aportes de recursos para investimento em pedreira e contratos de compra, venda e aluguel de equipamentos", diz o MPF.
Além disso, as investigações apontaram que o grupo Petrópolis disponibilizou pelo menos R$ 208 milhões em espécie à Odebrecht no Brasil, de junho de 2007 a fevereiro de 2011, e que o grupo, por meio das empresas Praiamar e Leyroz Caxias, foi utilizado pela Odebrecht para realizar, entre 2008 e 2014, pagamentos de propina disfarçada de doações eleitorais no total de R$ 121,5 milhões.
UOL tenta contato com o grupo Petrópolis para que se posicione a respeito da operação.
Ainda segundo o MFP, Walter Faria teria se utilizado do Regime Especial de Regularização Cambial e Tributária (RERCT), instituído em 2016 e que permitia trazer e declarar recursos do exterior sem comprovar sua origem, para regularizar R$ 1,39 bilhão depositado em contas de empresas offshore.
"Algumas dessas contas, direta ou indiretamente, receberam valores das contas controladas pela Odebrecht e por operadores ligados ao caso dos navios-sonda [Petrobras 10.000 e Vitória 10.000], indicando que ao menos significativa parte desses valores tem origem não comprovadamente lícita", afirma o MPF.
A operação de hoje leva o nome de Rock City (Cidade de Pedra, na tradução do inglês, em referência ao nome do grupo) e tem o apoio da Receita Federal. Além dos seis mandados de prisão, foram expedidos 33 mandados de busca e apreensão e ordem judicial de bloqueio de ativos financeiros dos investigados.
Os mandados são cumpridos em Boituva, Fernandópolis, Itu, Vinhedo, Piracicaba, Jacareí, Porto Feliz, Santa Fé do Sul, Santana do Parnaíba e São Paulo (SP), Cuiabá (MT), Cassilândia (MS), Petrópolis e Duque de Caxias (RJ) e Belo Horizonte (MG). Eles foram expedidos pela 13ª Vara Federal de Curitiba, e os presos serão levados para a Superintendência da PF em Curitiba.
O grupo Petrópolis já apareceu em outra investigação da Lava Jato. Em março, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB) disse em depoimento que o empresário Walter Faria, dono do grupo, foi pagador de propina para a organização criminosa chefiada por ele e de caixa dois para ao menos três campanhas eleitorais.
O grupo tem sete fábricas, duas delas instaladas em Boituva e Petrópolis, onde os policiais fazem buscas nesta manhã, e produz cervejas de marcas como Itaipava, Crystal e Petra.


UOL 

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