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Merkel e líderes europeus pressionam por um acordo com Mercosul


GENEBRA – Numa carta ao presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Junker, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, lidera um grupo de sete chefes-de-governo que pressionam para que o bloco europeu feche um acordo com o Mercosul. A meta, entre outras, seria a de dar uma mensagem clara ao mundo de que o protecionismo não pode vingar.
O processo está em sua reta final, depois de 20 anos de negociações. O governo brasileiro aceitou fazer concessões em diversas áreas de interesse dos europeus. Mas, para que um acordo seja assinado, cabe a Bruxelas oferecer ao Mercosul uma abertura importante de seu mercado agrícola.
A resistência, porém, é importante dentro da Europa. Na Itália, o governo populista insiste que não tem como "rifar" seus pequenos agricultores, enquanto a França hesita em tomar uma decisão de maior abertura.
Num esforço para minar a resistência dentro da própria Europa, coube a países como a Alemanha a sair na defesa do acordo. Numa carta ao presidente Junker, Merkel e lideres como Pedro Sanchez, Antonio Costa e Mark Rutte destacam que o acordo com o Mercosul tem um valor que vai além de um simples tratado com países sul-americanos.
"A ameaça cada vez maior do protecionismo e outros factores geopolíticos estão pesando nas exportações", escreveram os líderes, alertando para o enfraquecimento do sistema multilateral. A guerra comercial entre Donald Trump e a China estará no centro do debate do G-20, na próxima semana no Japão,
"Nesse contexto, temos uma oportunidade história, uma oportunidade estratégica, de fechar um dos acordo mais importantes", disseram os europeus.
Merkel e os demais líderes apontam que, se concluído, o acordo transformará a UE no principal parceiro comercial do Mercosul, com acesso privilegiado a 260 milhões de consumidores. Carros, autopeças, máquinas e produtos químicos estarão entre os setores europeus que mais ganharão.
Na carta a Juncker, os chefes-de-governo pedem que a UE reconheça que o Mercosul fez gestos importantes, cedendo e abrindo setores fundamentais para os exportadores europeus.
Num recado claro aos demais países da UE que ainda resistem, Merkel e seus aliados alertam que, agora, está na hora de todos fazerem concessões. "Estamos numa encruzilhada. A UE não pode se dobrar a argumentos populistas e protecionistas", apontaram.
No documento, Merkel e os demais líderes pedem que Juncker "submeta ao Mercosul uma oferta equilibrada e balanceada que pavimente o caminho para a conclusão de um acordo".
Mensagem
Mas a carta é também um recado da importância estratégia que o acordo teria. "Tal marca mandaria uma mensagem clara à economia global a favor de um sistema comercial aberto, justo e com regras", disseram.
"Um acordo com o Mercosul não é apenas importante para a UE. mas também chave para o sistema multilateral", destacaram. "Ele pode mostrar aos nossos parceiros que o sistema funciona, mandando uma forte mensagem de que o comércio é benéfico se baseado em diálogo, cooperação e regras justas", disseram.
Aos chefes da Comissão Europeia, Merkel e os líderes insistem ainda que a situação hoje no Mercosul é favorável a um acordo. Mas insinuam que uma mudança política na região com as eleições na Argentina poderia fechar essa oportunidade.
"Temos que aproveitar o momento policio atual do Mercosul e não deixar que essa janela de oportunidade seja fechada", concluíram.



** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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