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Trans acusa PSOL de preconceito: "Saí e Ciro me estendeu o tapete vermelho"


Ex-candidata ao senado por Minas Gerais, Duda Salabert abandonou o PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) nesta segunda-feira (22). Ela alega que o partido investiu menos em sua campanha e na de outras pessoas trans, em comparação ao gasto com outros candidatos ao mesmo cargo.
A professora, que é transexual, recebeu 351.874 votos nas eleições de 2018, mais do que o candidato à presidência de república Guilherme Boulos (PSOL), que foi escolhido por 50.587 mineiros, e que o deputado federal Aécio Neves (PSDB), eleito com 106.702 dos votos.
A insatisfação pela diferença no orçamento das campanhas acompanhava Duda desde as eleições, mas foi a expulsão da militante Indianara Siqueira do PSOL que a fez decidir pela desfiliação. A professora afirma, ainda, que sete partidos já demonstraram interesse em sua filiação e que o ex-candidato à presidência Ciro Gomes disse que "o PDT já estendeu [a ela] o tapete vermelho".
"Achei muito carinhoso. Fico feliz que tantos partidos se interessem pela causa transexual. O PSOL não quis dar a mesma importância dada a outros candidatos à candidatura de uma mulher trans. O Ciro demonstrou interesse, mas quero analisar com cuidado a proposta de cada um. Além do PDT, fui sondada pelo PT, PV, Patriotas, Rede, Cidadania e PSB."
A campanha de Duda custou R$ 15.690, segundo ela, valor fornecido pelo diretório nacional do partido. "Descobri que, para outras candidaturas, o valor disponibilizado pelo PSOL foi até dez vezes maior. Naquele momento, já percebi que o partido era transfóbico em sua estrutura", conta. Ela afirma que, após as eleições, não foi chamada nem uma vez sequer para reuniões ou encontros da legenda. "Eles me isolaram."
Apesar disso, Duda diz que ainda cogitava permanecer no partido, até a colega Indianara Siqueira ser expulsa, no começo deste mês. "É fácil dizer que ninguém solta a mão de ninguém enquanto soltam a mão das pessoas trans. Quem segura na nossa mão? O PSOL, certamente, não."

A expulsão de Indianara

Indianara, que também é uma mulher transexual, foi impedida de se candidatar a deputada federal nas eleições de 2018, no Rio de Janeiro, apesar de estar filiada ao PSOL. O partido alegou, à época, que ela estava sendo investigada por ocupar indevidamente o imóvel onde funcionava o espaço cultural Casa Nuvem, no Rio, transformá-lo em um abrigo para pessoas transexuais em situação de rua e gerar, com isso, uma dívida, que levou a instituição a ser despejada.
Os valores devidos seriam referentes ao não pagamento do aluguel, contas de água e luz. Indianara, porém, disse à Universa que a decisão do PSOL foi política, já que a legenda sabia que, se candidata, ela seria eleita. "Todas as dívidas foram pagas e o imóvel foi entregue em dezembro de 2018", alega. Segundo a Casa Nuvem, a dívida atualizada ultrapassa os R$ 100 mil.
Por unanimidade pelo diretório nacional do PSOL, sem nenhum voto contrário de seus 61 membros, um ano depois do impedimento da candidatura, Indianara foi desfiliada do PSOL por "desvios de conduta ética incondizentes com a prática partidária; casos em que são previstos no Estatuto do partido o desligamento".

Duda quer ser prefeita de BH

Duda afirma que pretende usar esse tempo para cuidar dos projetos sociais que criou em Belo Horizonte. Na política, sua próxima meta é se candidatar à prefeitura da capital mineira, em 2020.
"Recebi 112 mil votos só em Belo Horizonte. Tenho certeza de que farei um bom trabalho lá", diz.
Procurado pela reportagem, o PSOL ainda não se pronunciou. A matéria será atualizada assim que o partido se manifestar.
 Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do publicado anteriormente, Indianara Siqueira foi impedida de se candidatar a deputada federal em 2018. O texto foi corrigido.

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