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Laranjas: Bolsonaro indica que Bebianno será demitido se estiver envolvido


O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou hoje, em entrevista veiculada nesta noite ao Jornal da Record, que, caso o secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno, seja responsabilizado no caso das candidaturas laranjas do PSL, será demitido.
A entrevista foi concedida nesta manhã, pouco antes de o presidente receber alta médica do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. À tarde, ele voltou para Brasília.
Se estiver envolvido e, logicamente, responsabilizado, lamentavelmente, o destino não pode ser outro a não ser voltar as suas origens.
Presidente Jair Bolsonaro, sobre Gustavo Bebianno, caso seja comprovado envolvimento no caso de candidaturas laranjas
O presidente ainda declarou que determinou ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, que a PF (Polícia Federal) instaure inquérito para apurar as suspeitas contra as candidaturas do PSL.
"Já determinei à Polícia Federal que investigue isso. O partido [PSL] tem que ter consciência. Não são todos, é uma minoria que está nesse tipo de operação [candidaturas de laranjas], que não podemos concordar", afirmou Bolsonaro.
A explicação de Bolsonaro vem à tona depois de reportagens da Folha de São Paulo que revelaram um esquema de candidaturas laranjas dentro do PSL. 
Uma matéria publicada no último domingo (10) mostrou que o PSL criou uma candidata laranja em Pernambuco que recebeu R$ 400 mil de dinheiro público nas eleições de 2018. Maria de Lourdes Paixão, de 68 anos, que concorreu para uma vaga de deputada federal e obteve apenas 274 votos, foi a terceira maior beneficiada com verba do PSL em todo o país, com valores maiores que o próprio presidente Jair Bolsonaro. 
O dinheiro fora enviado diretamente para a candidata pela direção nacional do partido. À época da candidatura de Maria de Lourdes, Gustavo Bebianno era presidente interino da legenda, substituindo Luciano Bivar, e também coordenava a campanha de Bolsonaro, pautada, entre outros assuntos, no discurso anticorrupção. 
A Folha também mostrou que Bebianno liberou R$ 250 mil para a candidatura de uma ex-assessora, que por sua vez repassou parte da verba para uma gráfica de fachada. A candidata Érika Siqueira Santos, que trabalhou como assessora do partido diretamente com Bebianno, tentou uma vaga na Câmara dos Deputados e obteve apenas 1.315 votos. A gráfica foi a mesma utilizada por Maria de Lourdes Paixão, que afirmou ter repassado R$ 250 mil à empresa. 

CRISE COM CARLOS BOLSONARO

Ontem, em entrevista ao jornal O Globo, Bebbiano declarou que tinha conversado no mesmo dia com Bolsonaro, então internado. Hoje, um dos filhos do presidente, vereador Carlos Bolsonaro, desmentiu a conversa.
"Ontem estive 24h do dia ao lado do meu pai e afirmo: 'É uma mentira absoluta de Gustavo Bebbiano que ontem teria falado 3 vezes com Jair Bolsonaro para tratar do assunto citado pelo Globo e retransmitido pelo Antagonista'", escreveu Carlos em seu Twitter. 
O vereador ainda publicou um áudio onde o presidente Jair Bolsonaro diz a Bebianno que "está complicado conversar". "Não vou falar, não vou falar com ninguém, somente o essencial", disse Bolsonaro.
A conta do próprio presidente retuitou o áudio na noite de hoje. Já em entrevista à Record, gravada pela manhã, Jair Bolsonaro declarou que era mentira que teria conversado com Bebianno ontem.
"É mentira, sabe por quê? Porque eu determinei que a polícia federal investigasse. Eu poderia ter dado um telefonema para o Sergio Moro, porque eu sou chefe dele. Mas jamais farei isso, muito pelo contrário."
Determinei ao Sergio Moro que, dentro da sua esfera de atribuição, se fosse possível investigar. E está sendo investigado. Essa é a resposta que eu dou para todos aqueles que tentam praticar corrupção no Brasil
Presidente Jair Bolsonaro

ALFINETADA EM MOURÃO

Acomodado em uma sala do hospital Albert Einstein, onde ficou internado por 17 dias, Bolsonaro ainda fez uma leve crítica à condução da Presidência por parte de seu vice, o general Hamilton Mourão.
"Ele deu algumas escorregadas no tocante às declarações à mídia, mas nós vamos conversar e pode ter certeza que ele estará preparado para me substituir quando for preciso", disse.
Ainda falando sobre Mourão, o presidente voltou a atacar a imprensa, a qual julga estar "tentando jogar seus filhos contra ele e ele contra seus filhos".
"É a mesma coisa no tocante ao general Mourão. Circulou pela mídia que os generais do governo queriam que eu me afastasse para o Mourão assumir. Isso não houve, estamos muito bem no governo", afirmou. 

PREVIDÊNCIA

Em relação à reforma da Previdência, considerada uma das pautas mais importantes do núcleo do governo, Bolsonaro não entrou em detalhes, mas afirmou que vai "bater o martelo" na tarde de amanhã sobre a proposta que será levada ao Congresso. A dúvida, segundo o presidente, diz respeito à qual idade mínima será proposta. A reforma pode colocar como faixa etária mínima a idade de 57 ou 62 anos para mulheres e 62 ou 65 anos para os homens. 
A mudança nas idades vai refletir no período de transição da Previdência. Segundo Bolsonaro, a proposta que incidir sobre os funcionários das Forças Armadas vai ser a mesma para policiais militares, bombeiros e policiais civis. "Será tudo muito parecido", disse.

Uol/Folha

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