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Bolsonaro pede Mercosul "enxuto", e Macri chama Maduro de "ditador"


Os presidentes Jair Bolsonaro (PSL) e Mauricio Macri, da Argentina, defenderam nesta quarta-feira (16) a modernização de um Mercosul mais "enxuto", que tenha sentido e relevância. Bolsonaro destacou ainda a "convergência de posições e igualdade de valores" de ambos, e citou a crise política na Venezuela como um exemplo. Já Macri aproveitou seu discurso para fazer uma crítica contundente ao venezuelano Nicolás Maduro, a quem chamou de "ditador" e "algoz". 
"Não aceitamos essa zombaria à democracia", disse Macri. "Maduro é um ditador que procura se perpetuar no poder com eleições fictícias, prendendo opositores e levando os venezuelanos a uma situação desesperadora e agonizante", afirmou o argentino, ao lado de Bolsonaro.
Não aceitamos que brinquem com a democracia e menos ainda essa tentativa de vitimização de quem, na verdade, é quem vitima
Mauricio Macri, presidente da Argentina, sobre Nicolás Maduro, da Venezuela
Segundo Macri, Brasil e Argentina reconhecem apenas a Assembleia Nacional venezuelana, de maioria opositora e destituída por Maduro, como o único órgão democraticamente eleito.
Bolsonaro, por sua vez, fez apenas uma breve citação sobre a Venezuela e focou seu discurso nas supostas semelhanças entre ele e Macri e no Mercosul. O brasileiro elogiou os esforços de Macri para "reerguer a economia da Argentina e torná-la mais integrada ao mundo", e destacou que as reformas econômicas promovidas pelos dois países são fundamentais para o crescimento sustentável e para revigorar o intercâmbio comercial entre os nossos países.
Não há tabus na relação bilateral, o que nos move é a busca por resultados concretos para o crescimento dos dois países e para o bem-estar de suas populações
Jair Bolsonaro, presidente do Brasil
A Argentina fechou 2018 com o segundo índice de inflação mais alto do continente (47,6%), atrás apenas da Venezuela. O peso argentino desvalorizou mais de 50%, e as previsões são de que o desemprego no ano passado no país chegue a quase 10%.
Macri e Bolsonaro reforçaram ainda o interesse para que o Mercosul conclua logo as negociações comerciais pendentes, como o acordo com a União Europeia (UE), que não sai do papel há mais de uma década. Os dois querem ainda abrir novas negociações, "com flexibilidade, para recuperar o tempo perdido".
O novo governo do Brasil e a Argentina defendem a mudança de uma das principais regras do Mercosul, a obrigação de negociar acordos somente com o bloco, que não prevê acordos bilaterais de integrantes do grupo com outros países. A ideia é justamente liberar os países-membros para negociar sem os demais integrantes.
Para a fala, Bolsonaro leu o discurso em um teleprompter posicionado à sua frente. Em determinado momento, ele parou um pouco para que seguisse a projeção. Assim como diversos outros presentes, o brasileiro também usou fone de ouvido para receber a tradução instantânea durante o pronunciamento de Macri.
Após a reunião e os discursos no Planalto, os dois presidentes e suas comitivas foram para o Itamaraty, onde voltaram a fazer pronunciamentos. Em conversa informal à distância com jornalistas, Bolsonaro foi questionado sobre como foi sua primeira recepção a um chefe de Estado. "Tudo tem a primeira vez. Vocês lembram a de vocês?", comentou o presidente, sorrindo.

Segurança reforçada e brincadeira com crachá funcional

Com honras de visita de Estado, Macri passou em revista as tropas e subiu a rampa do Planalto, onde foi cumprimentado por Bolsonaro. No local, ouviram os respectivos hinos nacionais.
Enquanto esperava Macri, Bolsonaro conversou animadamente com o chanceler Ernesto Araújo e assessores, e, inclusive, brincou com um dos fotógrafos da Presidência. Ao tirar uma foto do presidente, Bolsonaro tirou o crachá funcional do bolso da calça e mostrou o objeto para as lentes da câmera. 
Semelhante aos crachás dos demais funcionários do Planalto, o de Bolsonaro conta com uma foto 3 x 4 dele, seu nome e outros dados em um fundo verde claro com duas faixas em verde e amarelo. O modelo, no entanto, não abre as catracas dentro prédio de forma automática para que possa circular livremente.
Os turistas em frente ao Planalto eram poucos, mas, ao longo de toda a recepção visível externamente, a segurança foi reforçada se comparada com a aplicada durante o mandato do ex-presidente Michel Temer (MDB). Agentes da Polícia Federal e do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) se posicionaram na rampa em frente e ao lado de Bolsonaro com as mãos postas nas armas de fogo dentro dos paletós e com maletas para proteção do mandatário, caso houvesse algum atentado.
*Colaborou Mirthyani Bezerra, em São Paulo, e Leandro Prazeres, em Brasília.
Uol/Folha de São Paulo

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