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Lula pediu para Haddad não visitá-lo mais durante campanha, diz Gleisi


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu que o candidato do partido ao Planalto, Fernando Haddad, deixe de visitá-lo na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba para se concentrar na campanha. A informação é da presidente do partido, senadora Gleisi Hoffmann. "[Lula] mandou um recado para mim. Manda o Haddad fazer campanha, não precisa mais vir aqui", disse.
"Nós estamos com um curto espaço de tempo. Nós temos que aproveitar as próximas semanas, as duas segundas, para que efetivamente a gente faça a campanha, as conversas que a gente precisa fazer e ganhe essa eleição", afirmou Gleisi.
Haddad visitou Lula em todas as segundas desde que foi oficializado como candidato do partido, em 11 de setembro. A última visita foi ontem, horas depois do resultado de primeiro turno das eleições que o colocou no segundo turno com Jair Bolsonaro (PSL). Desta vez última vez, porém, Haddad não concedeu entrevista aos jornalistas na frente da PF, como de costume, e escolheu um hotel em Curitiba para receber jornalistas.
A campanha de Haddad no segundo turno deverá se concentrar no Sul e no Sudeste, onde seu adversário, Jair Bolsonaro (PSL), teve ampla vantagem. Segundo o governador reeleito do Maranhão pelo PCdoB, Flávio Dino, a ações no Nordeste ficarão a cargo dos governadores aliados, como ele.
A figura de Lula tem tido menos destaque na campanha de Haddad. O próprio candidato fez menção uma única vez ao nome do ex-presidente em seu discurso de agradecimento pela vitória no primeiro turno.
Gleisi, porém, diz que não há uma tentativa de dissociar Lula de Haddad. "Isso não tem nada a ver com o não fortalecimento de Haddad. Muito pelo contrário. Fernando Haddad é a pessoa que tem a força, a capacidade, as condições de implementar esse projeto que tão bem fez ao povo brasileiro."
O PT se reúne nesta terça-feira (9) em um hotel na zona sul de São Paulo para debater os rumos da campanha. Participam do encontro membros da Executiva Nacional, além de governadores e políticos aliados.
Nesta terça, após a reunião, o PSOL deverá fazer a sinalização oficial de seu apoio à candidatura de Haddad. O PSB e o PDT também são esperados pelo partido.

"Tenho capacidade de diálogo", diz Haddad

No Twitter, o candidato petista afirmou, no início da tarde desta terça (9) que "nossa liberdade está em perigo" e criticou as propostas de Bolsonaro. "Todo mundo deve ter uma cota de responsabilidade sobre a democracia e nossa liberdade estarem em perigo. Estamos numa situação grave, mas vamos reverter. Teremos um grande segundo turno."
Além de tratar uma eventual vitória de Bolsonaro como ameaça, Haddad chamou o candidato para debates e disse que "o radicalismo está do lado de lá". "Eu nunca tive nenhum projeto rejeitado no Congresso Nacional, foram mais de 50 projetos aprovado quando era ministro. Isso porque eu tenho capacidade de diálogo." O candidato citou novamente a frase dita durante o discurso pós-resultado do primeiro turno que deve se tornar seu bordão durante o segundo turno da campanha: "[Estou] Armado só com argumento".
O radicalismo está do lado de lá. Eu nunca tive nenhum projeto rejeitado no Congresso Nacional, foram mais de 50 projetos aprovado quando era ministro. Isso porque eu tenho capacidade de diálogo.
Haddad disse ainda que Lula o considerou "um guerreiro por conquistar 30 milhões de votos em 20 dias". "Ele disse para eu seguir em frente e ganhar esta eleição porque o Bolsonaro é um risco para a democracia", escreveu.

Folha

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