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Marielle Franco foi mais votada em bairros nobres do Rio de Janeiro



Na zona eleitoral do Complexo da Maré, onde cresceu, vereadora teve 1.688 votos


SÃO PAULO e RIO DE JANEIRO
vereadora Marielle Franco (PSOL), que foi assassinada na última quarta-feira (14), conseguiu parte expressiva de seus mais de 46 mil votos na eleição de 2016 em bairros nobres do Rio de Janeiro.
A zona eleitoral em que ela teve a maior quantidade de votos foi a que reúne Cosme Velho e Laranjeiras, na zona sul da cidade. As dez zonas em que ela se saiu melhor incluem ainda Botafogo/Flamengo e Gávea/Leblon, redutos de classe média-alta.
Na zona eleitoral formada pelo Complexo da Maré, comunidade onde cresceu, e pelos bairros de Bonsucesso e Ramos, teve 1.688 votos. Em Cosme Velho/Laranjeiras, 2.237.
Foi lá que ela conseguiu também proporcionalmente seu melhor desempenho: foi escolhida por 8,2% dos eleitores que optaram por algum candidato a vereador. Ela também foi bem votada em regiões como Jardim Botânico/Lagoa, com 6,9% dos votos, e Botafogo/Urca, com 6,2%.
Ela teve votos em todas as quase cem zonas eleitorais do Rio e foi a quinta mais votada na eleição, a primeira que disputou.
O bom desempenho dela em áreas centrais e da zona sul do Rio pode estar ligado à performance naquela campanha de seu padrinho político, Marcelo Freixo (PSOL), que concorreu a prefeito. Freixo, de quem ela foi assessora na Assembleia Legislativa, liderou a votação no primeiro turno da eleição de 2016 em bairros como Copacabana e o Centro. Na região de Cosme Velho/Laranjeiras, chegou a 39,5% dos votos, seu melhor índice naquele turno.
Ele disputou o segundo turno com Marcelo Crivella (PRB), que acabou eleito.

INTERVENÇÃO

A morte da vereadora ocorreu dois dias antes de a intervenção federal na segurança pública do Rio completar um mês. A medida, inédita, foi anunciada pelo presidente Michel Temer (MDB) em 16 de fevereiro, com o apoio do governador Luiz Fernando Pezão, também do MDB.
Temer nomeou como interventor o general do Exército Walter Braga Netto. Ele, na prática, é o chefe dos forças de segurança do estado, como se acumulasse a Secretaria da Segurança Pública e a de Administração Penitenciária, com PM, Civil, bombeiros e agentes carcerários sob o seu comando.
O Rio de Janeiro passa por uma grave crise política e econômica, com reflexos diretos na segurança pública. Desde junho de 2016, o estado está em situação de calamidade pública e conta com o auxílio das Forças Armadas desde setembro do ano passado. 
Não há recursos para pagar servidores e para contratar PMs aprovados em concurso. Policiais trabalham com armamento obsoleto e sem combustível para o carro das corporações. Faltam equipamentos como coletes e munição.
A falta de estrutura atinge em cheio o moral da tropa policial e torna os agentes vítimas da criminalidade. Somente no ano passado 134 policiais militares foram assassinados no estado.
Policiais, porém, também estão matando mais. Após uma queda de 2007 a 2013, o número de homicídios decorrentes de oposição à intervenção policial está de volta a patamares anteriores à gestão de José Mariano Beltrame na Secretaria de Segurança (2007-2016). Em 2017, 1.124 pessoas foram mortas pela polícia.
Em meio à crise, a política de Unidades de Polícia Pacificadora ruiu –estudo da PM cita 13 confrontos em áreas com UPP em 2011, contra 1.555 em 2016. Nesse vácuo, o número de confrontos entre grupos criminosos aumentou.
Apesar da escalada de violência no Rio, que atingiu uma taxa de mortes violentas de 40 por 100 mil habitantes no ano passado, há outros estados com patamares ainda piores.
No Atlas da Violência 2017, com dados até 2015, Rio tinha taxa de 30,6 homicídios para cada 100 mil habitantes, contra 58,1 de Sergipe, 52,3 de Alagoas e 46,7 do Ceará, por exemplo.

Folha de São Paulo

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