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Dilma e site de esquerda citado na Lava Jato acusam Netflix e Padilha de deturparem fatos em série


Apelidada desde seu anúncio como "a série da Lava Jato" e disponível desde a última sexta-feira (23) na Netflix, a série "O Mecanismo" está sendo alvo de críticas por parte do site Brasil 247, que em várias postagens ao longo dos últimos dias a classificou como "criminosa", "coleção de preconceitos e 'fake news'", "cujo conteúdo reflete preconceitos e manipulações sobre a história recente do Brasil".
O dono e administrador do Brasil 247, Leonardo Attuch, já foi convocado pela Lava Jato a prestar depoimento, e o site foi acusado por um delator de ter recebido propina para apoiar o PT nas eleições de 2014 (leia mais abaixo).
Neste domingo, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) também divulgou nota criticando a Netflix e, principalmente, o diretor José Padilha, que assina a série. Ela disse que, apesar de "O Mecanismo" se dizer "baseada em fatos reais", o cineasta distorce a realidade, propaga mentiras e pratica o "assassinato de reputações".
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A série O Mecanismo, com direção de Padilha e roteiro de Elena Soares, é inspirada no livro Lava Jato - O Juiz Sergio Moro e Os Bastidores da Operação Que Abalou O Brasil. Distribuída em oito episódios, ela faz referência a fatos e personagens investigados na operação, mas usa nomes fictícios para pessoas, empresas e até corporações.
A reportagem do UOL entrou em contato com a Netflix Brasil para repercutir as críticas à série e aguarda um posicionamento.

Cobrança de desculpas

O Brasil 247 diz que a série "lançada pela Netflix na antevéspera do que seria a prisão do ex-presidente Lula" é criminosa e que o serviço de stream deve um pedido de desculpas ao Brasil. O site cita ainda um movimento de internautas que estariam cancelando a assinatura na Netflix por causa da série, destacando uma postagem do crítico de cinema Pablo Villaça.
Em um vídeo no canal da TV 247 no Youtube, o dono e administrador do Brasil 247, Leonardo Attuch, afirma que a série é "mentira do começo ao fim, só preconceito e esculhambação com o Brasil". "Essa série pode ser classificada quase como criminosa [...], você não pode falar que isso é baseado ou inspirado em fatos reais. Isso é uma coisa absurda. Acho inclusive que a Dilma devia tomar providências", diz.
O colunista do site Leonardo Stoppa diz que essa é uma estratégia que "começou na Segunda Guerra Mundial com os nazistas: o uso do cinema para fazer campanha política". "O que eu fico impressionado é que em uma realidade, em um ano eleitoral, a gente deixa a Netflix fazer uma campanha eleitoral", disse.

"Mentirosa e dissimulada"

A ex-presidente Dilma Rousseff também se manifestou sobre a série da Netflix, dizendo em nota que ela é "mentirosa e dissimulada" e que o diretor José Padilha "inventa fatos" e se tornou um "criador de notícias falsas". 
Dilma diz ainda que o cineasta "tem o desplante" de atribuir as palavras do senador Romero Jucá (PMDB-RR) sobre "estancar a sangria" ao personagem associado ao ex-presidente Lula. "Jucá confessava ali o desejo de 'um grande acordo nacional'. O estarrecedor é que o cineasta atribui tais declarações ao personagem que encarna o presidente Lula", escreve.
A ex-presidente chama de "desonestidade intelectual" por parte de Padilha e compara a narrativa a outros fatos da história mundial. "É como se recriassem no cinema os últimos momentos da tragédia de John Kennedy, colocando o assassino, Lee Harvey Oswald, acusando a vítima. Ou Winston Churchill acertando com Adolf Hitler uma aliança para atacar os Estados Unidos. Ou Getúlio Vargas muito amigo de Carlos Lacerda, apoiando o golpe em 1954"
A petista finaliza dizendo reiterar o respeito pela liberdade de expressão e manifestação artística, mas exigindo que a série se assuma como uma obra de ficção. "É forçoso reconhecer que se trata de ficção. Caso contrário, o que se está fazendo não está baseado em fatos reais, mas em distorções reais, em 'fake news' inventadas", diz

RELEMBRE FRASES DE JUCÁ E MACHADO SOBRE "ESTANCAR A SANGRIA" E "GRANDE ACORDO NACIONAL"

Citação na Lava Jato

Em 2015, Attuch, administrador do Brasil 247, foi acusado em delação premiada pelo lobista Milton Pascowitch, responsável segundo as denúncias por ter aproximado a Engevix do PT, de ter recebido R$ 120 mil a mando do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. Pascowitch disse ainda que o dinheiro foi recebido sem que houvesse qualquer prestação de serviço para dar legalidade ao "apoio" do PT ao site.
Os pagamentos teriam ocorrido entre setembro e outubro de 2014, em quatro parcelas. O período corresponde à reta final da campanha eleitoral que reelegeu Dilma Rousseff como presidente. Pascowitch disse ainda que sua consultoria Jamp Engenheiros Associados repassava a propina.
Attuch chegou a ter a prisão temporária pedida pelo MPF (Ministério Público Federal), mas o juiz federal Sergio Moro indeferiu o pedido. O juiz argumentou à época que seria preciso aprofundar as investigações contra o dono do Brasil 247 "apesar das provas".
Na época, a editora de Attuch divulgou nota afirmando que foi contratada pela Jamp para produzir "conteúdo sobre o setor de engenharia". "Os serviços foram efetivamente prestados, as notas fiscais foram emitidas e os impostos recolhidos como em qualquer transação comercial legal e legítima", diz a nota.
Em 2016, ele foi chamado para depor no âmbito da operação "Custo Brasil", um desmembramento da operação Lava Jato que investiga desvios no ministério do Planejamento, comandado por Paulo Bernardo de 2005 a 2011.

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