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Temer tenta ganhar eleitores do Bolsonaro com intervenção no Rio, diz Lula


Para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a intervenção federal na segurança pública do Rio, aprovada pelo Senado na noite de terça-feira (20), é uma medida eleitoreira e com apelo popular do presidente Michel Temer (MDB), que está tentando viabilizar sua candidatura à reeleição. Segundo a avaliação do petista, Temer busca avançar no eleitorado do deputado federal e pré-candidato Jair Bolsonaro (PSC-RJ).
"Eu acho que o Temer está encontrando um jeito de ser candidato a presidente da República. E acho que ele achou que a segurança pública pode ser uma coisa muito importante para ele pegar um nicho de eleitores do Bolsonaro", afirmou Lula na manhã desta quarta-feira (21), em entrevista à Rádio Itatiaia, de Minas Gerais. Foi a primeira vez que o ex-presidente se posicionou sobre a intervenção.
Para Lula, Temer aposta que o petista não concorrer e está tentando alavancar sua popularidade no ano eleitoral. Condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro, Lula deve ser enquadrado na Lei da Ficha e ficar impossibilitado de disputar a eleição deste ano. Ele nega as acusações e diz que irá concorrer.
"Acho que o Temer está fazendo uma aposta. E a gente não pode [deixar de] levar em conta que ele tirou da pauta uma coisa que a sociedade era contra (a reforma da Previdência), e colocou na pauta uma coisa que a sociedade é favorável, que é o combate à violência, à criminalidade", disse.
Segundo a última pesquisa Datafolha, divulgada em 31 de janeiro deste ano, no cenário em que disputariam a presidência Lula, Bolsonaro e Temer, o candidato petista teria 34% das intenções de voto, seguido de Bolsonaro (15%). Temer teria apenas 1% das intenções. Já nos cenários sem Lula, Bolsonaro lidera.
Anunciada na sexta-feira (16), a intervenção coloca à frente da segurança do Rio o general Walter Souza Braga Netto, líder do CML (Comando Militar do Leste), que substitui o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (MDB) no assunto. Com isso, o comando das polícias, bombeiros, área de inteligência e administração penitenciária ficam sob a responsabilidade da União. A intervenção está prevista até 31 de dezembro.
Em discurso na televisão, Temer afirmou que a "medida extrema" ocorreu porque "assim exigiram as circunstâncias".

"Exército não é preparado"

Para Lula, no entanto, a medida decretada na semana passada deve ser pouco efetiva na segurança do Rio após a saída das Forças Armadas do território fluminense, no início de 2019. "Ao você anunciar, tem que sentar e anunciar um plano. Um plano estratégico de enfrentar [problemas da] segurança", afirmou.
"O Exército não é preparado para enfrentar o narcotráfico. O Exército não é preparado para lidar com bandido em favela. Ele é preparado para defender a soberania nacional contra possíveis inimigos externos. Você colocar o Exército com uma tarefa dessas, sem ser preparado... o que pode acontecer é que, depois do espetáculo, o resultado seja negativo", disse o ex-presidente.
"Obviamente, ninguém pode ser contra a uma tomada de posição emergencial para tentar diminuir a emergência no Rio de Janeiro. Mas é preciso que a coisa não seja feita de forma estabanada pensando apenas em política", complementou.

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