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Rita Lee - do discurso à realidade



Fui ao show de Rita Lee e confesso, ela simplesmente arrasou! Ouvi atenta as suas declarações contra a família, a favor do uso da maconha e contra os políticos, bajuladores e alguns poucos privilegiados que assistiam a um show público com toda pompa de iniciativa privada. Bom, não concordo com a maioria do que foi dito pela rainha do Rock brasileiro, mas sinceramente até agora também não vi sentido na existência de camarotes ou “frontstage” num evento público.

E olhe que, como jornalista, se tivesse ido atrás, conseguiria também estar junto a esses poucos privilegiados, mas preferi sentir a areia nos pés, sofrer com os apertos, mas calorosos. Ver de perto o povão, pedir licença, passar naquele aperto, enfim estar entre tantos que foram, na verdade, os reais patrocinadores do show da Rita Lee.

A eterna rainha do Rock não perdeu seu star de subversiva e, talvez guarde resquícios de um período político nada agradável. Para mim, é compreensível sua reação afinal para quem, na década de 70, quando da sua primeira gravidez, foi presa por porte de maconha e usada como exemplo à juventude da época, não caberia agora sentimento de amor aos representantes políticos.

Na época, a prisão da cantora foi considerada um dos mais truculentos atos da ditadura militar, já que ela alegou que tinha deixado de usar maconha por causa da gravidez e que a droga encontrada seriam restos usados por amigos e frequentadores da sua casa. Mesmo assim, Rita foi condenada e ficou um ano em prisão domiciliar, precisando de permissões especiais do juiz para sair de casa e fazer shows. Época em que passou por dificuldades financeiras.

Alguns colegas jornalistas criticaram o fato da rainha do Rock ter se excedido em suas colocações em público, mas toda ação requer uma reação. Durante o show fiquei encostada na grade divisória entre o povão e os poucos privilegiados que estavam num tal de “frontstage” que separava mais ainda o público de Rita Lee. Sinceramente, acreditava piamente que esse tal de “frontstage” se tratava de algo que só existia em shows pagos, mas vi que não.

Senti de perto a fúria de alguns populares que também estavam feito lagartixas amassados contra a tal grade divisória e bradavam pedindo a Rita Lee para gritar por eles, dizer que o show era público e que não deveria existir tal separação. Enfim, essas mesmas pessoas tentavam desesperadamente pular a grade e os seguranças e policiais as jogavam de volta como saco de batatas, fiquei estarrecida com o que presenciei bem embaixo dos meus olhos.

Não sei, sinceramente, o que é mais ridículo, se criticar alguém que diz o que realmente pensa sobre a classe política sem receio do que possa vir a lhe acontecer ou fechar os olhos para os absurdos e exageros em prestigiar alguns poucos escolhidos.


Simone Duarte

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. É isso ai, Simone, falou e disse! A Rita é a Rita, ela não fala pra fazer média, ela é a cara. É Rita de brancos, pretos e coloridos, dos "frascos e comprimidos"...rs. Sempre fui fã dela, ainda mais depois q li a biogtafia Rita Lee Mora ao Lado do Henrique Bartsch. No livro ele retrata a personalidade da rainha do rock brasileiro q não podia deixar barato esse apartheid do show de Jampa.

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