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Rinaldo de Fernandes lança “O Professor de Piano”, em João Pessoa


Já lançado em São Paulo e no Recife, O Professor de Piano (Ed. 7Letras/RJ), o mais novo livro de Rinaldo de Fernandes, terá lançamento em João Pessoa nesta quarta-feira, 10 de dezembro, a partir das 19h30, no Terraço Brasil, no Cabo Branco. O livro, cujo posfácio é da ensaísta gaúcha Regina Zilberman, será apresentado no lançamento por Vinícius Rodrigues, ensaísta e roteirista paraibano. Na ocasião, Rinaldo fará a leitura de um dos contos do livro.

Rinaldo de Fernandes, professor de literatura na UFPB e doutor em Teoria e História Literária pela UNICAMP, é um escritor que tem se destacado na literatura brasileira contemporânea com obras como o romance Rita no Pomar, que foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura de 2009 (e que poderá virar um longa-metragem do cineasta paraibano Marcus Vilar), e também por ter organizado coletâneas de contos e de ensaios de sucesso editorial, tais como O Clarim e a Oração (Geração Editorial, 2002), Chico Buarque do Brasil (Garamond/Fundação Biblioteca Nacional, 2004), Contos Cruéis (Geração Editorial, 2006) e Capitu mandou flores (Geração Editorial, 2008).

Ao posfaciar O Professor de Piano, a grande ensaísta e professora de literatura Regina Zilberman se rendeu ao talento do autor, chamando-o de “Mestre do Conto”. De fato, Rinaldo de Fernandes, contista premiado nacionalmente (seu conto “Beleza”, que abre O Professor de Piano, ficou em primeiro lugar no Prêmio Nacional de Contos do Paraná e foi escolhido entre os melhores do Premio Unicamp Ano 40 de Conto), já vem se consolidando no panorama da literatura brasileira contemporânea como um dos mais destacados e talentosos ficcionistas. Tanto que suas obras já começam a ser pensadas para o cinema.

Os contos de Rinaldo de Fernandes – já abordados por vários ensaístas e objetos de trabalhos acadêmicos, inclusive de tese de Doutorado – são peças essencialmente realistas, urbanas, com personagens angustiados, dilacerados por dramas, neuroses e violências que assolam o homem contemporâneo. O premiado “Beleza” é um conto extraordinário, contundente desde as primeiras linhas, com o protagonista vivendo uma situação absurda, kafkiana. Antonio Carlos Secchin, da Academia Brasileira de Letras, disse sobre esse conto: “É um lindo, emotivo, emocionante conto, impecavelmente escrito”. Já “O professor de piano”, que dá título ao livro, é um dos contos mais brilhantes de Rinaldo. Um mergulho na alma de um personagem atormentado por dramas econômicos e familiares e por uma forte paixão. Neste conto, como também em “Beleza”, Rinaldo refina ainda mais – investigando, com intensidade e de forma funcional, a subjetividade do homem contemporâneo – o uso das técnicas do monólogo interior e do fluxo de consciência, já tão bem exploradas em Rita no Pomar, o que chamou a atenção do escritor Raimundo Carrero (vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura de 2010): “Em Rita no Pomar, um romance e tanto, o monólogo vai pouco a pouco cedendo espaço ao fluxo, porque a confusão mental procura a rapidez e, na rapidez, encontram-se os barulhos, os ruídos, as aliterações”. Essas técnicas utilizadas para compor Rita no Pomar, e agora os contos, também chamaram a atenção de Silvia Marianecci. Para a crítica italiana, Rita é “emblema de uma geração em permanente busca da própria identidade” e experimentando uma “incomunicabilidade insuperável”.

“Ilhado” e “O Cavalo” são peças magníficas do conto brasileiro atual, admirados e já comentados por autores como Moacyr Scliar e Mário Chamie. “Oferta”, que dialoga estruturalmente com a publicidade, expõe, como poucas narrativas de nossa literatura, a miséria da prostituição juvenil no país. O carnavalesco “Dois buracos para os meus olhos” mescla Eros e Tânatos na medida exata, abordando enfermidade e comportamento na contemporaneidade. “Você não quis um poeta”, um tanto experimental, elaborado de forma fragmentada, com cortes rápidos, é um retrato pungente da violência do homem contra a mulher. “Alucinação” merece uma abordagem psicanalítica, pela paranóia profunda que desarranja a protagonista.

Além da problemática social, há, em alguns dos contos deste livro, um subtexto político, como no caso do alegórico “O Caçador” ou mesmo do poético “O Besouro”. O especulativo “Onde está o agente?”, que se passa no Brasil do séc. XXIII, dialoga com a narrativa policial e com a ficção científica, trazendo também um protagonista paranóico.

O leitor irá encontrar aqui 11 contos que, sem sombra de dúvida, se enquadram entre os melhores da literatura brasileira dos últimos anos. Um livro marcante, de um “Mestre do Conto”, para ser lido e comentado. E, certamente, para não ser esquecido.

Linaldo Guedes

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